SÃO PAULO - O mau humor persiste nos mercados brasileiros, resultando em um começo de semana negativo para a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que voltou para o menor patamar de pontos em 11 meses. Dólar e juros futuros ficaram praticamente estáveis em sessão de baixa liquidez.

O dia começou com ganhos em Wall Street e na Bovespa, mas logo no final da manhã as commodities passaram a apontar para baixo e os problemas no setor financeiro norte-americano voltaram a pesar sobre o humor dos investidores.

As financeiras hipotecárias Freddie Mac e Fannie Mae voltaram ao foco dos investidores, depois que saíram notícias indicando que o governo terá que intervir diretamente nas companhias, que não conseguem levantar recursos para se financiar. Contribuindo para sentimento negativo, o Wall Street Journal (WSJ) noticiou que o Lehman Bros terá uma baixa contábil de US$ 1,8 bilhão durante o trimestre.

Com isso, os índices firmaram posição em território negativo e o Dow Jones fechou o dia com perda de 1,55%, enquanto o Nasdaq caiu 1,45%.

Por aqui, o mau humor externo se aliou à queda no preço de alguns metais e do petróleo, puxando mais um pregão de baixa na Bovespa, o terceiro consecutivo. O Ibovespa encerrou o dia aos 53.326 pontos, queda de 1,69%. Tal pontuação não era observada desde setembro de 2007. O giro financeiro somou R$ 4,52 bilhões, sendo R$ 794 milhões referentes ao vencimento de opções sobre ações.

No câmbio, o real ensaiou uma recuperação ante o dólar, mas a piora de sentimento externo e a atuação do Banco Central (BC), que comprou dólares no mercado à vista, seguraram a venda de moeda.

Depois de cair a R$ 1,628 na mínima, o dólar comercial fechou o dia com leve baixa de 0,06%, a R$ 1,637 na compra e R$ 1,639 na venda.

Na roda de pronto da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F) a moeda apresentou ligeira alta de 0,09%, para R$ 1,640. O volume financeiro somou US$ 161 milhões, montante três vezes menor que o observado na sexta-feira da semana passada.

Os juros futuros tiveram mais um pregão de baixa liquidez, com as taxas devolvendo as perdas da abertura para fechar o dia próximo da estabilidade. Os agentes receberam mais uma rodada de indicadores apontando arrefecimento da inflação, e o boletim Focus, do BC, apontou nova baixa nas projeções de inflação.

O dia começou com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) apresentando o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), que recuou de 0,44% na abertura do mês para 0,34% na leitura seguinte. A FGV também divulgou uma medida de preços no atacado, o Índice Geral de Preços-10 (IGP-10), que apresentou alta de 0,38% em agosto, caindo de 2% observado em julho.

O relatório Focus apontou nova retração nas projeções de inflação para 2008. A queda foi marginal, com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) projetado para o final do ano indo de 6,45% para 6,44%. Para 2009, a estimativa seguiu ancorada em 5%.

Na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado, subiu 0,01 ponto, a 14,66% ao ano. O vencimento janeiro 2011 fechou estável a 14,36%. E janeiro 2012 recuou 0,02 ponto, para 14,06%.

Entre os curtos, o vencimento para setembro de 2008 avançou 0,03 ponto, para 12,85%. Outubro de 2008 aumentou 0,01 ponto para 13,16%. Novembro de 2008 encerrou a 13,34%, sem alteração. E o DI para janeiro de 2009 valorizou 0,01 ponto, para 13,80% ao ano.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 257.085 contratos, equivalentes a R$ 21,77 bilhões (US$ 13,28 bilhões), um dos menores volumes do ano. O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 115.705 contratos, equivalente a R$ 9,59 bilhões (US$ 5,85 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor Online)

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