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SÃO PAULO - A melhora do humor externo, associada aos leilões do Banco Central (BC) para injetar liquidez no câmbio, levaram a moeda americana a inverter o rumo na reta final do pregão e fechar com ligeira baixa. O dólar comercial terminou o dia cotado a R$ 2,161 para a compra e R$ 2,163 para a venda, com baixa de 0,13% após o ajuste final das operações.

O pregão foi volátil desde cedo, mas a divisa trabalhou predominantemente em alta. As reações às intervenções do Banco Central eram pontuais e não duravam muito. Pela manhã o BC fez um leilão de linha e colocou integralmente os US$ 1 bilhão ofertados. Logo depois a autoridade monetária fez leilão de dólar no mercado a vista. Às 13h o BC voltou ao mercado para fazer a oferta de 50 mil contratos de swap cambial com vencimento em dezembro próximo, dos quais o mercado absorveu o equivalente a US$ 1,814 bilhão.

Todas as transações foram sentidas pelos agentes financeiros como um trabalho para atender a demanda por dinheiro e, ao mesmo tempo, para evitar exageros nas oscilações da moeda. Assim, no entendimento de operadores do segmento, o movimento de alta poderia ser bem maior sem a presença do BC.

Uma hora antes do fechamento, o Banco Central também deu uma informação importante que pode favorecer as empresas exportadoras que estão sofrendo com falta de linhas de exportação.

Resolução do Conselho Monetário Nacional editada hoje autoriza o Banco Central a determinar que os recursos captados pelos bancos a partir das reservas internacionais brasileiras "sejam direcionados, no todo ou em parte, para operações de comércio exterior".

João Medeiros, diretor de câmbio da corretora Pioneer, afirma que as companhias estão muito pressionadas pela falta de recursos. "Tenho visto bancos tomando recursos do BC e aplicando o spread que querem, o que impede que o dinheiro chegue ao exportador", diz.

Além da nova resolução, as bolsas internacionais registraram no final da tarde sensível melhora, ajudadas pela baixa dos preços de petróleo, o que também pode ter ajudado o ajuste do dólar ao final do pregão. Ainda assim, o consenso é de que as incertezas e a volatilidade devem continuar nos próximos dias.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)