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Mercados: Bovespa tem quinto pregão de queda e caminha para pior mês desde setembro de 2002

SÃO PAULO - A alta nas ações da Petrobras, Vale e siderúrgicas não foi suficiente para afastar o tom negativo do cenário externo, que acabou puxando a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) de volta para o território negativo no pregão de hoje. Depois de subir 1,7%, o Ibovespa fechou o dia com baixa de 0,58%, aos 56.869 pontos. O giro financeiro somou R$ 3,99 bilhões, menor desde o dia 4 de julho, quando foi feriado nos EUA.

Valor Online |

A segunda-feira marcou o quinto pregão seguido de baixa, seqüência de perda não observada desde agosto de 2007. Com mais um dia negativo, o índice passa a acumular perda de 12,53% em julho, o que faz o mês o pior desde setembro de 2002.

Em Wall Street, as renovadas preocupações com o setor financeiro - depois que dois bancos regionais faliram no final de semana -, aliadas à alta no preço do petróleo e resultados corporativos negativos, promoveram uma acentuada realização de lucros. O Dow Jones caiu 2,11%, enquanto o Nasdaq recuou 2,0%.

Fazendo uma análise de cenário, o sócio da Global Financial Advisor, Miguel Daoud, acredita que a Bovespa está refletindo a percepção dos agentes de que o período de crise será mais acentuado do que o previsto inicialmente.

Segundo Daoud, o país está caminhando para uma deterioração muito rápida dos ganhos atingidos nos últimos anos. Sinal disso é a piora nas contas externas e o sofrível desempenho da bolsa nos últimos meses, que depende basicamente de capital externo que continuando deixando o país.

Por outro lado, não vemos uma disposição por parte do governo de estabelecer medidas ou programas para enfrentar essa nova realidade pela qual o mundo vai passar em função de um ajuste depois do período de forte crescimento dos últimos anos, avalia.

Segundo Daoud, o mercado financeiro já está antecipando essa piora de cenário que pode resultar em um segundo semestre bastante negativo podendo afetar fortemente o crescimento e a renda em 2009. A bolsa já está pressentindo isso. A situação exige medidas para evitar dificuldades futuras e o governo ainda faz vista grossa, diz o analista.

Para o sócio da Global Financial Advisor, o governo deveria pensar em um plano sério de ajuste fiscal e também buscar uma maneira de conter a valorização do real, que está prejudicando as exportações do país.

Daoud lembra que a única grande empresa industrial que tem inserção no mundo globalizado é a Embraer. As gigantes exportadoras Petrobras e Vale vendem basicamente matérias-primas e podem ver suas vendas externas prejudicadas pelos dois lados, tanto pelo preço pela quantidade demandada. Tem que mexer no câmbio antes que se destrua todo o setor produtivo, afirma.

Como exemplo de saída de crise pelo câmbio, Miguel Daoud aponta os países asiáticos, que superaram com rapidez a crise de 1997 estabelecendo um plano para o ajuste da moeda, desvalorização das divisas locais e fortalecendo a economia via mercado externo.

De volta ao dia-a-dia do mercado, os papéis relacionados às commodities tiveram um pregão positivo, corrigindo parte das perdas da semana passada depois que analistas internacionais fizeram comentários positivos sobre siderúrgicas e petrolíferas.

O papel PN da Petrobras encerrou o dia com valorização de 1,01%, aos R$ 34,85, Vale PNA teve alta de 0,44%, aos R$ 38,15. CSN ON avançou 1,88%, para R$ 57,41, e Gerdau PN subiu 2,35%, para R$ 30,86.

Puxando as vendas, os bancos voltaram a refletir a falta de confiança externa no setor. Bradesco PN cedeu 1,36%, para R$ 31,91. Itaú PN caiu 1,55%, para R$ 31,60. Perda de 4,86%, para o ativo ON do Banco do Brasil, que fechou a R$ 23,07. A instituição estatal anunciou a formação de um banco com o sul-africano FirstRand para explorar o mercado de financiamento de veículos. Segundo o BB, serão necessários investimentos de R$ 980 milhões nos dois primeiros anos de atuação para financiar a expansão da carteira de crédito nesse segmento. O banco deve estar operando no primeiro semestre de 2009.

A valorização do petróleo prejudicou os ativos do setor aéreo. O papel PN da TAM caiu 6,72%, para R$ 32,18, e Gol PN cedeu 5,95%, para R$ 16,10.

Quedas superiores a 3% para as ações Cyrela ON, Gafisa ON, Lojas Renner ON, América Latina Logística unit, Sadia PN e TIM Part PN.

Fora do índice o destaque durante todo o pregão ficou com a ações do grupo EBX, do empresário Eike Batista. No segmento de mineração, foi efetivada hoje a divisão da MMX Mineração, da qual sairão as empresas LLX e IronX, como parte do processo de compra de parte dos ativos da empresa pela Anglo American.

Começaram as ser negociados os papéis da LLX, que concentra os projetos de logística da companhia, e os papéis da IronX, que detém os projetos MMX Minas Rio e o sistema de minério de ferro do Amapá, e é alvo da compra da Anglo American.

O papel ON da IronX subiu 27,25%, para R$ 26,61. Mas a negociação desse ativo tem seus dias contados, pois a Anglo American pretende fazer uma oferta aos acionistas minoritários para o fechamento do capital. Segundo a MMX, o fechamento de capital da IronX deve levar 90 dias. A companhia estrangeira fechou a compra de 62% da IronX, que estavam com Batista, e pagará o mesmo preço por ação aos minoritários.

O ativo ON da LLX Logística apresentou valorização de 23,11%, para R$ 4,90. Já o papel ON da MMX Mineração, que agora detém os projetos restantes da companhia, caiu 7,09%, para R$ 17,28.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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