SÃO PAULO - Depois de acumular uma perda superior a 12% em três pregões, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) passou por uma forte retomada nesta quinta-feira. Ao final do pregão, o Ibovespa apresentava alta de 5,48%, retomando os 48.

422 pontos. O ganho diário foi o maior desde o dia 30 de abril, data na qual o país recebeu seu primeiro grau de investimento. Destaque também para volume financeiro, que ultrapassou R$ 7,5 bilhões.

O dia foi bastante instável, com o índice chegando a operar em baixa no começo da tarde, mas o humor já era melhor do que o da véspera, em função da atuação conjunta dos bancos centrais dos Estados Unidos, Europa e Japão para prover liquidez ao mercado.

A disparada veio no final da tarde, quando começaram a surgir notícias indicando que o Tesouro dos Estados Unidos estuda uma solução de longo prazo para a crise. Os debates circulam em torno da criação de uma agência que assumirá os créditos podres de empresas falidas e que também poderá atuar no mercado imobiliário modificando hipotecas.

Em Wall Street, a reação também foi eufórica, o Dow Jones disparou 3,86%, enquanto o Nasdaq ganhou 4,78%. Algumas ações do setor financeiro chegaram a subir mais de 40%.

Na avaliação do sócio da MH, Marcelo Chakmati, a sinalização vinda de fora é positiva, mas faltam dados mais concretos sobre tais medidas e quem arcará com a conta de assumir os créditos pobres das empresas. "Já tivemos momentos de alta eufórica como esse e vimos o índice voltar para baixo novamente", recorda.

Por outro lado, Chakmati aponta que novas medidas precisam mesmo ser estudadas, pois o mercado já se deu conta de que simples injeções de dinheiro não trazem mais alívio e que o Federal Reserve (Fed) não pode salvar todo mundo.

De qualquer forma, aponta o especialista, não dá para imaginar que a crise acabou por aqui. O mercado de derivativos financeiros é muito grande e mais bancos devem aparecer machucados pelas falências e incorporações recentes.

No âmbito corporativo, quem puxa as perdas nos dias ruins, geralmente lidera as altas nos dias bons. O papel PN da Petrobras movimentou mais de R$ 1,2 bilhão, registrando alta de 8,05%, para R$ 32,20. E Vale PNA fechou com alta de 7,45%, para R$ 34,60.

Com terceiro maior volume do dia, Bradesco PN subiu 6,87%, encerrando a R$ 28,30. Ainda no setor, Itaú PN ganhou 6,57%, para R$ 29,50, e Unibanco Unit avançou 8,55%, para R$ 18,40.

Entre as siderúrgicas, Usiminas PNA e CSN ON tiveram alta de mais de 4,5% cada, para R$ 39,80 e R$ 45,85, respectivamente. Gerdau PN fechou a R$ 23,62, ganho de 6,39%.

Ainda dentro do Ibovespa, alta de 12,12% para o ativo ON da construtora Cyrela, que fechou a 18,50. Aracruz PNB e VCP PN subiram mais de 10% cada uma, encerrando a R$ 8,38 e R$ 34,49.

Fora da festa, Cesp PNB caiu 6,09%, para R$ 14,80, e Telesp PN recuou 4,46%, para R$ 38,69.

Entre as empresas que chegaram à bolsa ano passado, a ação ON da BR Brokers liderou a retomada, avançando 19,80%, para R$ 5,99. Vale lembrar que ontem o papel tinha perdido 13%.

"(Eduardo Campos | Valor Online)"

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