SÃO PAULO - Compasso de espera. Tal expressão define a movimentação dos mercados brasileiros durante a quarta-feira.

O grande evento do dia aconteceria após o fechamento dos mercados, quando os senadores norte-americanos votaram o plano de resgate ao sistema financeiro norte-americano. A nova versão do plano apresentado pelo Tesouro dos EUA foi aprovada por 74 senadores; 25 representantes foram contra. O apoio à proposta veio depois de uma iniciativa semelhante ser rejeitada pela Câmara de Representantes americana na segunda-feira, o que gerou pânico nas bolsas do mundo.

O plano sofreu algumas alterações, mas o núcleo do projeto segue prevendo a destinação de US$ 700 bilhões para o saneamento dos balanços dos bancos. Os ativos ilíquidos que estão nas carteiras das instituições financeiras continuam impedindo o funcionamento no mercado de crédito, os prazos caíram e as taxa subiram substancialmente.

No aguardo de definições, a primeira reação foi de venda, com as bolsas em São Paulo e Nova York recuando de forma acentuada. O Dow Jones perdeu mais de 2% enquanto a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) chegou a declinar 3,8%.

No decorrer da tarde de ontem, uma dose de otimismo reduziu o ritmo das ordens de venda, possibilitando que a bolsa brasileira voltasse ao território positivo. Ao fim do pregão, o Ibovespa subiu 0,52%, aos 49.798 pontos. O giro financeiro superou R$ 5 bilhões.

Em Wall Street, os índices ensaiaram, mas não ficaram no azul. O Dow Jones acabou encerrando o pregão com baixa de 0,18% e o Nasdaq diminuiu 1,07%.

No mercado de câmbio, a dúvida inspirou compra e a divisa voltou a ganhar valor ante o real, mas fechou longe da máxima de R$ 1,946. Sinal claro da cautela dos agentes foi o giro interbancário de apenas US$ 1,2 bilhão, montante três vezes menor que o observado na terça-feira.

O dólar comercial terminou a jornada com apreciação de 1,10%, negociado a R$ 1,923 na compra e R$ 1,925 na venda. Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F) a moeda avançou 1,08%, para R$ 1,9245. O volume financeiro somou US$ 385,75 milhões.

Reforçando a idéia de que a alta no preço da moeda no mês de setembro reflete também movimento especulativo, o Banco Central (BC) apontou que, até o dia 26 de setembro, o fluxo cambial estava positivo em US$ 2,75 bilhões, ou seja, não faltava moeda no mercado. Vale lembra que o dólar comercial fechou setembro com elevação de 16,45% ante o real.

Os juros futuros ignoraram a instabilidade proveniente dos Estados Unidos e deram seqüência ao movimento de baixa iniciado na terça-feira. Os agentes se dividem entre aqueles que acreditam que a crise externa obrigará o BC a afrouxar o aperto monetário e aqueles que apontam que a maior aversão ao risco resultará em alta no preço do dólar e necessidade de juros elevados por mais tempo.

Ao fim do pregão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado, apontava queda de 0,10 ponto percentual, a 14,37% ao ano. Tal patamar de taxa não era observado desde o começo de junho. O vencimento janeiro 2011 teve desvalorização de 0,20 pontos, apontando, 14,13%. E Janeiro 2012 projetava 13,99%, com decréscimo de 0,18 ponto.

Entre os contratos curtos, o vencimento para novembro 2008 fechou estável a 13,63%. Dezembro de 2008 recuou 0,02 ponto, para 13,84%, e o DI para janeiro de 2009 encerrou apontando 13,98% ao ano, baixa de 0,03 ponto.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 718.340 contratos, equivalentes a R$ 62,20 bilhões (US$ 32,49 bilhões). Esse foi o maior número negociado desde o dia 18 de setembro. O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 279.465 contratos, equivalentes a R$ 23,62 bilhões (US$ 12,33 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor Online)

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