SÃO PAULO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) resistiu à instabilidade externa e garantiu fechamento em território positivo nesta quarta-feira. As compras perderam força no final da sessão, mas ainda assim o Ibovespa encerrou com alta de 0,50%, apontando 49.

842 pontos. O giro financeiro de R$ 4,03 bilhões foi o menor desde o dia 1º de setembro, quando um feriado nos Estados Unidos limitou o volume a R$ 1,99 bilhão.

O diretor responsável pela área de análises da Petra Personal Trader, Ricardo Binelli, afirma que os ganhos registrados hoje são pouco significativos justamente por causa do baixo volume negociado. "E esse baixo volume deixa claro que todo mundo está aguardando o que vai acontecer lá fora", afirma.

Segundo o especialista, segue a expectativa quanto à aprovação do programa de resgate ao sistema financeiro norte-americano. O pacote que envolve US$ 700 bilhões deve ser aprovado, mas existe uma expectativa sobre a reação do mercado, se tal quantia será suficiente ou não. "Isso não significa que todos os problemas ficarão para trás. Mas US$ 700 bilhões são uma quantia bastante robusta que deve trazer, pelo menos, uma tranqüilidade maior", avalia.

Em Wall Street, o Dow Jones oscilou inúmeras vezes entre perdas e ganhos até fechar o dia com leve baixa de 0,27%. Em direção contrária, o Nasdaq subiu 0,11%.

Voltando o foco para o noticiário interno, Binelli aponta que a decisão do Banco Central de flexibilizar os depósitos compulsórios não teve impacto direto nos negócios da bolsa. Até os bancos médios, que deveriam se beneficiar mais com a liberação de recursos que antes ficavam retidos, não esboçaram reação. "Está tudo pautado pelo humor externo", afirma.

No setor bancário, o papel PN do Bradesco ganhou 0,65%, para R$ 29,80, enquanto a ação PN do Itaú cedeu 0,66%, para R$ 29,80. As units do Unibanco caíram 2,17%, para R$ 18,44. Entre os bancos médios, Cruzeiro do Sul perdeu mais de 11%, fechando a R$ 4,60.

Hoje, o BC tomou a primeira medida contra a restrição de crédito externo e mudou algumas determinações sobre o compulsório incidente sobre depósitos à vista, a prazo, poupança e leasing para aumentar a liquidez no sistema bancário.

Uma sinalização importante do dia, na visão de Binelli, foi a compra de US$ 5 bilhões em ações do Goldman Sachs pelo megainvestidor Warren Buffett. Pelo histórico de Buffett, tal compra é um bom indicativo do desencontro entre fundamento e preço, ou seja, há oportunidade de investimento em empresas tradicionais e que entregam resultados. Segundo Binelli, também é possível detectar algumas oportunidades como essa no mercado brasileiro.

No âmbito corporativo, grande parte da valorização do Ibovespa reflete o bom desempenho do papel PN da Petrobras, que subiu 3,72%, para R$ 34,49. O ativo ON da estatal ganhou 2,75%, para R$ 42,12.

Contribuindo para a alta, Vale PNA ganhou 1,87%, encerrando a 34,15, BM & FBovespa ON terminou com alta de 1,79%, para R$ 8,50, e CSN ON subiu 2,17%, negociada a R$ 47,06.

Na ponta oposta, Cosan ON voltou a cair forte, perdendo mais de 8,5% de seu valor para fechar a R$ 12,75. As varejistas continuam apanhando. O papel PN da Lojas Americanas perdeu 7,25%, para R$ 7,41, e o ativo PN do Pão de Açúcar recuou 6,51%, para R$ 32,99.

Fora do índice destaque de baixa para os recebíveis na trading agrícola Agrenco. Depois de semanas suspensos, os papéis voltaram a ser negociados e desabaram 70,45%, para encerrar negociados a R$ 0,13. A companhia está em recuperação judicial.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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