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Mercados: Bovespa subiu 8,36% em dia de recuperação e dólar avançou

SÃO PAULO - O dia foi de recuperação e retomada da confiança na possibilidade de solução da crise financeira e retorno do crédito no mundo. Enquanto Wall Street avançava 4%, a bolsa paulista conseguiu subir mais de 8%.

Valor Online |

O dólar não caiu, pois as apostas na moeda americana se fortaleceram no mercado futuro, o que puxou a divisa cotada à vista para um patamar próximo da estabilidade.

A melhora do ânimo veio com a avaliação de Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve (Fed), de que é preciso dar condições para que a economia dos EUA continue crescendo, com mais incentivo fiscal para os consumidores. O comentário sinalizou não só a possibilidade desse incentivo adicional, como o compromisso do Fed com o crescimento dos EUA, o que pode sugerir um novo corte da taxa de juros.

O Ibovespa encerrou o dia com elevação de 8,36%, aos 39.441 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,118 bilhões. A recuperação de preços de commodities também favoreceu a alta de ações importantes, como as da Petrobras. O dólar comercial chegou a cair bastante ao longo da sessão, mas inverteu no fim das transações e fechou com valorização de 0,23%, cotado a R$ 2,1230 para a compra e R$ 2,1250 para a venda. O giro interbancário foi de US$ 2,100 bilhões.

Logo cedo, os agentes repercutiram positivamente o índice dos indicadores antecedentes dos Estados Unidos, que subiu 0,3% em setembro, seguindo queda de 0,9% um mês antes (revisto). " O dado tem um bom grau de entendimento para os próximos meses " , diz Kelly Trentin, analista de investmentos da corretora SLW, lembrando que o indicador reúne os dados mais recentes de atividade manufatureira, setor imobiliário e condições de emprego para sinalizar o andamento da economia nos próximos meses.

Além do número positivo, Kelly afirma que os investidores ficaram empolgados com os comentários de Bernanke. Segundo ele, os planos de recuperação do setor financeiro devem ter resultado e deve-se ponderar que a economia precisa de estímulo para continuar a crescer. Bernanke afirmou que, para isso, seria conveniente pensar em um novo plano de incentivo fiscal para que os americanos possam continuar consumindo e girando a economia do país.

"O governo tenta sinalizar para o mercado que, depois dos bancos, os consumidores também serão ajudados", diz Trentin. Adicionalmente, foram divulgados detalhes do pacote de ajuda aos bancos. Segundo Henry Paulson, secretário do Tesouro dos EUA, o dinheiro a ser injetado nos bancos em dificuldade deverão ser repassados em empréstimos, em vez de estancar nos caixas.

Agentes do segmento afirmam que a inversão de rumo do dólar se deve a operações de compra no mercado futuro, que acabaram pressionando também as operações no mercado à vista. Além disso, o Banco Central (BC) continuou com suas operações de injeção de liquidez. Fez um leilão de swap cambial, com venda integral de um lote de US$ 789 milhões, e ofertou dólares no mercado pronto com taxa de corte no valor de 2,1210.

Vanderlei Arruda, gerente de câmbio da corretora Souza Barros, comentou que a mudança de rumo veio após o discurso de Bernanke. O mercado passou a apostar a favor do dólar, tendo em perspectiva a recuperação da economia americana. Assim, o leilão compromissado do BC, feito entre 16h e 17h, teve pouco efeito sobre as cotações. A contribuição, se é que existiu, foi com uma parcela de incerteza sobre a demanda dos bancos na operação no encerramento.

Esse foi o primeiro leilão de reservas do BC cujos recursos devem ser repassados pelos bancos para linhas de exportação. Do total de US$ 2 bilhões, o mercado absorveu US$ 1,62 bilhão. O resultado deve interferir no desempenho da moeda na abertura deste pregão.

Esse comportamento do dólar influenciou também a maioria das taxas de Depósitos Interbancários (DIs) negociadas na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), que fecharam em alta. Uma possível zeragem de posições por parte de estrangeiros, interessados em ativos mais seguros lá fora, também pode ter justificado o aumento das taxas na ponta de longo prazo.

Ao fim do pregão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado, foi um dos poucos a registrar ajuste de queda, de 0,04 ponto percentual, a 14,70% ao ano. O vencimento janeiro de 2012 projetou a 15,82%, ganho de 0,10 ponto. Entre os curtos, o vencimento de dezembro subiu 0,03 ponto, para 13,88%, e o de janeiro de 2009 ficou estável, a 13,94% ao ano.

Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da corretora Gradual, observou que a alta do dólar, ainda que modesta, tem reflexo direto para os vencimentos até janeiro de 2009, pois embutem previsões de pressão inflacionária. A partir daí, as variações têm mais a ver com o humor externo. Ainda que os mercados internacionais tenham tido um dia de recuperação em bolsas, a zeragem de posições para realocações em títulos da dívida dos EUA ainda vem ocorrendo, o que tende a pressionar os vencimentos mais distantes, a partir de 2011.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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