SÃO PAULO - Os mercados brasileiros seguiram apresentando um desempenho positivo ontem, apesar do quadro nos mercados internacionais. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) garantiu o sexto pregão seguido de alta, testando na máxima os 66 mil pontos. O dólar ameaçou uma recuperação, mas as compras não se sustentaram até o final do dia e a moeda caiu pelo nono pregão. Já os juros futuros tiveram leve alta, principalmente os longos, mais alinhados à sinalização externa.

Em Nova York, a quinta-feira foi de perda. Dow Jones caiu 0,88%, enquanto o Nasdaq cedeu 0,94%. Os investidores assimilaram a segunda revisão do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no quarto trimestre, quando a economia cresceu 0,6%, mesmo resultado da primeira preliminar.

Em seu segundo dia de discurso, agora no Senado, o presidente do Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, Ben Bernanke, reconheceu que a elevação da inflação deixa a tarefa do Fed mais difícil. Ontem, o chefe da autoridade monetária voltou a indicar que tomará as medidas necessárias para conter a perda de dinamismo econômico.

Conforme o dólar perde força, os ativos reais ganham valor. A moeda perde a preferência entre os investidores que passam a buscar rentabilidade nos ativos reais, como ouro, petróleo e outras commodities.

Embalada por essa transição mundial, a bolsa brasileira se beneficia por ter entre seus maiores componentes empresas exportadoras de matérias-primas. Cabe lembrar que Petrobras e Vale respondem por cerca de 30% do Ibovespa. São justamente estes papéis, em conjunto com as siderúrgicas, que vem provocando este descolamento do mercado acionário brasileiro.

O Ibovespa fechou a quinta-feira com leve alta de 0,09%, aos 65.555 pontos. O giro financeiro somou R$ 5,93 bilhões. Na máxima, o indicador voltou a testar os 66 mil pontos, algo não registrado desde dezembro do ano passado, mas não sustentou tal patamar. Com sete altas na seqüência, o ganho acumulado em fevereiro sobe para 10,2%.

O dólar chegou a avançar 0,6% na máxima do dia e operou em alta durante grande parte do pregão. No entanto, logo após a atuação diária no Banco Central (BC) no mercado à vista, as vendas voltaram a se avolumar.

Com isso, o dólar comercial encerrou a quinta-feira em baixa de 0,17%, a R$ 1,667 na compra e R$ 1,669 na venda. A cotação é a menor desde 18 de maio de 1999. Este foi o nono pregão consecutivo de queda. Nesse período, o ativo perdeu 4,79%, elevando a desvalorização acumulada em 2008 para 6,07%.

Na roda de pronto da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BMF), a moeda recuou 0,12%, a R$ 1,669. O volume financeiro somou US$ 374,5 milhões. O giro interbancário ficou em US$ 1,695 bilhão.

Ainda sem motivo para queda ou alta, as curvas de juros futuros seguem oscilando dentre de barreiras bem definidas. O ponto importante é que os gestores descartam uma elevação de juros no curto prazo. No entanto também dá para apostar em coisa diferente da estabilidade, faltam dados que permitam um otimismo maior. Apesar do recuo na inflação corrente, seguem as preocupações com o nível de atividade.

Na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2009 subiu 0,05 ponto percentual, para a 11,77% anuais. Janeiro de 2010, o mais negociado, ganhou 0,02 ponto, projetando a 12,41% ao ano. Janeiro 2011 valorizou 0,03 ponto, indicando 12,48% ao ano. Janeiro 2012 avançou 0,02 ponto, fechando a 12,42%.

Na ponta curta, março de 2008 ficou estável a 11,07%. Abril de 2008 encerrou com baixa de 0,02 ponto, projetando 11,11%. Julho de 2008 subiu 0,01 ponto, para 11,27%. E outubro de 2008 encerrou apontando 11,52% anuais, aumento de 0,02 ponto percentual.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 680.593 contratos, equivalentes a R$ 59,48 bilhões (US$ 35,58 bilhões). O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 223.125 contratos, equivalente a R$ 17,98 bilhões (US$ 10,76 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor Online)

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