SÃO PAULO - A baixa no preço das commodities não foi um problema para a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) nesta quinta-feira. As compras seguiram fortes, impulsionando a bolsa paulista para cima dos 56 mil pontos, patamar não observado desde o dia 8 de agosto. Ao final da sessão, o Ibovespa apontava alta de 1,55%, aos 56.382 pontos. O giro financeiro também aumentou, ultrapassando R$ 4,29 bilhões.

O dia também foi de ganho expressivo em Wall Street, onde o Dow Jones fechou com alta de 1,85%, e o Nasdaq ganhou 1,22%. O humor dos investidores foi renovado depois que o Departamento de Comércio apontou crescimento de 3,3% para o Produto Interno Bruto (PIB) durante o segundo trimestre. O dado superou o avanço 1,9% da primeira prévia e ficou acima dos 2,7% estimados. A queda no preço do petróleo também foi mais um estimulante para as compras.

Segundo o analista de investimentos da Spinelli Corretora, Jayme Alves, os dados positivos sobre a economia norte-americana e uma maior confiança na economia interna seguraram os investidores na ponta compradora durante esta quinta-feira.

Tecnicamente, Alves afirma que a bolsa deu alguns sinais importantes, que apontam para o fim dessa tendência de baixa. Mas isso não é garantia de recuperação muito forte, ressalva.

Segundo o analista, o cenário continua inspirando forte cautela. A economia dos EUA deu um sinal de força hoje, mas situação está piorando na Europa. Já se fala em recessão na Inglaterra, e o sentimento do empresariado alemão continua caindo. E essas notícias também impedem uma recuperação mais sustentada no preço das commodities.

Outro fator impeditivo a uma retomada de alta do índice, segundo Alves, é a falta de dinheiro novo no mercado. O estrangeiro ainda contabiliza perdas com as crises de crédito e subprime. E o investidor local está bastante machucado com acentuada baixa das ações brasileiras nos últimos meses.

No âmbito corporativo, o destaque durante toda a sessão ficou com o papel ON do Banco do Brasil, que subiu 3,41%, para R$ 24,20, apresentando o terceiro maior volume de negócios do dia.

O setor bancário foi alvo de recomendação de corretoras estrangeiras. Ainda no segmento, Itaú PN ganhou 3,66%, para R$ 31,65, Bradesco PN teve alta de 2,42%, para R$ 30,47, e as units do Unibanco avançaram 2,78%, para R$ 19,90.

Mesmo com o petróleo e outras commodities em baixa, os carros-chefe do índice apontaram para cima. Petrobras PN ganhou 0,42%, para R$ 35,35, e Vale PNA subiu 0,51%, para R$ 38,70.

Bom desempenho para as siderúrgicas, que também receberam indicações positivas de corretoras nos últimos dias. O papel ON da CSN avançou 2,43%, para R$ 56,85. Gerdau PN subiu 2,25%, para R$ 30,35, e Usiminas PNA teve alta de 1,78%, para R$ 56,49.

Com a queda no petróleo, o setor aéreo ganhou atratividade. TAM PN subiu 5,83%, para R$ 32,28. Com menos força, Gol PN ganhou 1,92%, para R$ 14,26. No setor de telecom, destaque para o ativo ON da TIM, que teve valorização de 5,08%, para R$ 5,99. O papel PN da operadora ganhou 4,88%, para R$ 3,65. JBS ON, CRR Rodovias e Sabesp também ganharam mais de 4% cada.

Fora do índice, destaque de alta para os Brazilian Depositary Receipts (BRDs - instrumento que permite que empresas estrangeiras tenham ações negociadas no Brasil) da controladora da Parmalat, a Laep, que subiram 14,77%, para R$ 1,01.

Já os BDRs da trading agrícola Agrenco continuam suspensos para negociação. A Bovespa pediu mais esclarecimentos sobre o pedido de recuperação judicial anunciado ontem.

Os papéis da construtora Tenda, que chegaram a cai mais de 20% pela manhã, fecharam o dia com perda de 2,5%, a R$ 3,90. O papel ainda reflete o rebaixamento de recomendação de corretas estrangeiras, como o Credit Suisse, que baixou o preço alvo da ação de R$ 21 para R$ 7.

Forte valorização também para o ativo ON da MMX Mineração, que fechou com alta de 14,10%, para R$ 16,10. Valorização expressiva para o ativo ON da Metalfrio, que ganhou 10,71%, para R$ 15,50, porém com baixo volume negociado.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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