SÃO PAULO - A virada de humor de Wall Street não influi sobre o movimento comprador na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Em alta desde o começo do pregão, o Ibovespa subia 0,83%, para 60.649 pontos, por volta das 13h10. O giro financeiro era de R$ 2,13 bilhões.

No câmbio, o dólar mantém a trajetória de queda ante o real e firma posição abaixo do patamar de R$ 1,600. Há pouco, a moeda caía 0,43%, para R$ 1,594 na venda.

O impacto positivo do resgate às financeiras hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac se mostrou limitado em Wall Street. Depois de subir cerca de 1% na abertura dos negócios, há pouco, o Dow Jones recuava 0,62%, enquanto o Nasdaq perdia 1,14%.

Depois de uma semana de rumores sobre falta de recursos e queda acentuada no preço das ações, o Tesouro dos Estados Unidos e o Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, anunciaram medidas para prover liquidez às companhias. O Fed liberou a janela de redesconto e o Tesouro buscará aprovação no congresso para estender as linhas de financiamento e comprar ações das financeiras.

A visão é de que embora positiva, a intervenção confirma os temores do mercado de que o ambiente de crédito segue bastante restritivo.

Segundo o operador-sênior da TOV Corretora, Décio Pecequilo, a Bovespa passa uma reação técnica, pois os preços ficaram bastante atraentes para a compra.

Além disso, o especialista aponta que a inflação dá sinais, mesmo que tímidos, de arrefecimento, o que é positivo, pois mostra certa dificuldade no repasse de preços.

Pecequilo também lembra que organismos internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), apontam o Brasil como o país que mais combate o aumento de preços e ainda apresenta inflação de um dígito, contra outros emergentes que amargam altas acentuadas em seus índices oficiais.

O operador também lembra que, dentro do quadro atual de pressão de preços de alimentos e energia, o Brasil está bem posicionado, pois há a possibilidade de aumento de safras no lado dos alimentos e, no campo da energia, o país conta com as descobertas da Petrobras e o etanol, que começa a ganhar o mundo como fonte alternativa.

De acordo com Pecequilo, a volatilidade veio para ficar, mas a visão que prevalece ainda é de alta para a bolsa, com o Ibovespa fechando o ano entre 70 mil e 80 mil pontos. A crise nos Estados Unidos continua preocupando, mas somos um oásis , diz o operador apontando para a atratividade da bolsa frente a outros investimentos.

Até a situação externa se normalizar vai demorar mais um pouco, mas qualquer movimento para baixo ainda deve ser encarado como oportunidade de compra , resume.

O destaque de alta dentro do índice segue com as ações PNA da Vale, que ganhava 2,09%, para R$ 43,85. Com menor ímpeto, Petrobras PN subia 0,41%, para R$ 40,77, e CSN ON valorizava 0,48%, para R$ 63,70.

Bom desempenho e elevado volume para o ativo PN da AmBev, que ganhava 5,70%, para R$ 99,79. A sua controladora, a InBev fechou a compra da americana Anheuser-Busch, fabricante da marca Budweiser, por US$ 52 bilhões, formando a maior cervejaria do mundo.

Alta de 5,57%, para o ativo ON da Natura, que era negociado a R$ 17,23. Light ON tinha valorização de 4,27%, para R$ 23,40, e Souza Cruz ON subia 3,66%, para R$ 43,85.

Na ponta oposta, Vivo PN caía 4,95%, para R$ 9,40. Gol PN desvalorizava 2,93%, para R$ 13,22, e CCR Rodovias ON perdia 2,19%, para R$ 28,51.

Depois do tombo da sexta-feira, alguns papéis das empresas de Eike Batista passam por recuperação. As ações caíram forte depois que uma das empresas da holding foi alvo de operação da Polícia Federal, que investiga o favorecimento da MMX Logística Amapá em licitação de ferrovia.

O papel ON da OGX Petróleo subia 10,97%, para R$ 900,00, e o ativo ON da MPX Energia ganhava 5,71%, para R$ 740,00. Já o papel ON da MMX Mineração estendia as perdas, recuando 0,84%, para R$ 45,81.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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