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SÃO PAULO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) tem um pregão bastante instável nesta quarta-feira. Depois de oscilar mais de 2 mil pontos entre ganhos e perdas, por volta das 13h20, o Ibovespa tentava voltar ao território positivo - apresentava leve baixa de 0,10%, para 48.386 pontos. Atenção para o giro financeiro de R$ 3,33 bilhões, alto para o período do dia.

Depois de testar os 47.600 pontos na mínima, o ensaio de recuperação da bolsa brasileira acompanhava a forte retomada das compras em Wall Street, onde o Dow Jones subia 0,77% e o Nasdaq ganhava 0,85%.

No entanto, o movimento esbarra na falta de sustentação para os principais papéis do índice. Com elevado volume financeiro, Petrobras PN caía 2,64%, para R$ 27,59, e BM & FBovespa ON perdia 5,32%, a R$ 8,71. Impedindo uma baixa mais acentuada, Vale PNA ganhava 2,06%, a R$ 34,02, e CSN ON subia 0,93%, valendo R$ 43,10.

O operador-sênior da TOV Corretora, Décio Pecequilo, comentou que o mercado brasileiro passa por um tremendo ajuste e todos os investidores estão assustados. O especialista aponta, também, que essa correção era inevitável. Até maio, o Ibovespa apresenta cinco anos, 4 meses e 20 dias consecutivos de valorização.

O operador destaca que o mercado brasileiro paga o preço por ser o principal centro de liquidez da América Latina e um dos emergentes mais globalizados, com uma grande quantidade de empresas com recibos de ações (ADRs) negociados em Nova York.

Pecequilo também chama atenção para a composição do Ibovespa. Petrobras e Vale respondem por 31,11% do índice. Juntando Gerdau, CSN e Usiminas, as cinco empresas fazem 43,85% do índice. Somando Banco do Brasil, Bradesco e Itaú, apenas oito papéis respondem por mais de 53% do principal índice de ações do país. Cabe lembrar que 66 ativos compõem o indicador.

Observando esses dados, o especialista observa que estes papéis de maior peso no Ibovespa estão diretamente relacionados aos focos de turbulência atual. Petrobras, Vale e siderúrgicas são prejudicadas pela baixa no preço das commodities, enquanto os bancos sofrem com a crise mundial de crédito.

Embora inevitável, Pecequilo ressalta que em momento algum o mercado sofreu por causa dos fundamentos da economia brasileira. Sinal disso é o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), de 6,1% durante o segundo trimestre do ano no comparativo anual.

Ainda na avaliação do especialista, os pessimistas de plantão têm mandado no mercado recentemente. Mas não dá para pensar que a bolsa acabou. O estrangeiro fez liquidez e o investidor interno se deixou levar pela emoção. Agora, temos tentar superar essa fase.

De volta ao âmbito corporativo, as ações ON da JBS apresentavam valorização de 4,20%, a R$ 5,45. Telesp PN subia 3,40%, saindo a R$ 43,70, e Rossi Residencial ganhava 3,35%, para R$ 7,70.

Na ponta vendedora, Cosan ON dá continuidade ao movimento de baixa iniciado ontem e perdia 4,51%, negociada a R$ 17,56. Quedas também para o papel PNB da Cesp, de 3,07%, para R$ 18,90.

Atenção também para o setor imobiliário. Mais duas empresas vão se unir. Hoje, a Brascan Residential Properties anunciou uma proposta de reestruturação que resultará na incorporação da Company. O negócio envolve troca de ações e o pagamento de R$ 200 milhões em dinheiro. Há pouco, a ação ON da Brascan recuava 2%, cotada a R$ 5,88, enquanto o papel ON da Company caía 11,71%, a R$ 8,89.

No câmbio, o comportamento do dólar é bastante instável. Depois de a moeda bater R$ 1,799 na máxima, o mercado ensaiou uma correção, mas a tentativa de baixa não se sustentou. Há pouco, o dólar comercial valia R$ 1,786 na venda, acréscimo de 0,79%.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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