SÃO PAULO - Commodities em baixa e um dia de acentuado pessimismo global derrubaram a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) para baixo dos 52 mil pontos, patamar não observado desde agosto do ano passado. Depois de esboçar alta nos primeiros negócios do dia, o Ibovespa encerrou a quinta-feira com baixa de 3,96%, aos 51.408 pontos. Essa foi a maior queda percentual diária desde 19 de março. O giro financeiro seguiu elevado, superando R$ 5,2 bilhões. A baixa na semana está em 7,67%.

Segundo o diretor de renda variável da FinaBank Corretora, Edson Marcellino, são notícias negativas que vem de fora do país e estimulam essas vendas acentuadas.

Dois pontos principais ajudam a explicar a forte volatilidade do dia: comentários feitos nos Estados Unidos sobre um tsunami no já combalido setor financeiro; e a preocupação que veio da Europa, onde se consolida a idéia de recessão econômica.

Marcellino também lembra que a demanda doméstica por ações não tem força para impulsionar a Bovespa sozinha e descolar os papéis brasileiros da instabilidade externa. Quem domina o mercado é o recurso externo, que continua saído do país, afirma.

O especialista também afirma que muito dos investidores que estavam com operações a termo tiveram que rever suas posições. Segundo Marcellino, com o Ibovespa em baixa por um longo período, muitos agentes passaram a apostar em uma recuperação, mas as quedas contínuas vêm minando essas apostas.

Dentro do índice, os carros-chefe lideraram as perdas. Petrobras PN cedeu 3,52%, para R$ 31,45, e Vale PNA recuou 3,11%, para R$ 35,51. Citando preocupação com o crescimento na China, a Goldman Sachs rebaixou o setor siderúrgico. Isso ajudou na queda de 7,57% para o papel ON da CSN, que fechou a R$ 48,21. Usiminas PNA recuou 5,72%, para R$ 48,25, e Gerdau PN caiu 6,90%, valendo R$ 26,30.

Mais um sinal de saída de recursos estrangeiros foi a queda de 11,34% no papel ON da BM & FBovespa, que encerrou valendo R$ 11,34, com o quarto maior volume negociado, e maior baixa dentro do índice.

As construtoras também perderam valor de forma acentuada. Rossi Residencial ON caiu 10,75%, para R$ 8,38, Gafisa recuou 7,35%, para R$ 22,30, e Cyrela ON teve desvalorização de 6,08%, para R$ 18,69.

À parte da instabilidade, Comgás PNA teve alta de 1,58%, para R$ 42,18. CCR Rodovias subiu 0,71%, para R$ 28,30, e VCP PN ganhou 0,31%, para R$ 34,60.

Fora do Ibovespa, a ação ON da construtora Tenda continuou perdendo valor. O papel caiu outros 13,13%, para R$ 2,58, depois de ter recuado 23% ontem. Os papéis da Laep, controladora da Parmalat, cederam 12,63%, e valem R$ 0,83. Fertilizantes Heringer ON, MRV ON e PDG Realty ON recuaram mais de 10% cada.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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