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SÃO PAULO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrou o terceiro pregão consecutivo de baixa nesta terça-feira, mas ainda mantém o patamar de 54 mil pontos. Depois de oscilar entre ganhos e perdas durante toda a sessão, o Ibovespa fechou o dia valendo 54.358 pontos, queda de 0,22% sobre o fechamento de ontem. O giro financeiro seguiu baixo, R$ 3,27 bilhões, mas já foi melhor que os R$ 2,5 bilhões de ontem.

De acordo com o diretor de investimento da Victoire Finance Capital, André Caminada, o mercado está completamente sem direção e, dentro desse ambiente, alguns agentes simplesmente não estão mais operando.

O especialista define o momento atual como mercado de trading , ou seja, o que determina o rumo dos negócios é o que acontece no dia. O agente começa o pregão com uma posição, faz o giro e fecha o dia zerado. Amanhã tem conotação de longo prazo.

Dentro desse contexto também se encontra o investidor estrangeiro, que faz suas movimentações conforme o cenário global, sem muita racionalidade.

Caminada também lembra que a volatilidade do Ibovespa subiu de forma acentuada, chegando a 45%, contra um patamar tido como normal de 25% a 28% que era registrado até meados do ano passado. Isso quer dizer que você vai do céu ao inferno a qualquer momento. Não dá para achar que o mercado vai agir com racionalidade com uma volatilidade tão grande.

Para o diretor, a baixa no preço das ações brasileiras escapa aos fundamentos e reflete apenas um movimento global de liquidez. Temos papéis que foram totalmente destruídos sem a menor lógica. Até que ponto tem resgates de fundos ou algo que justifique o mercado agir dessa forma? , questiona o especialista.

Segundo Caminada, os sinais externos não são bons, não dão sinais de que a turbulência passará rápido, mas internamente o Brasil tem indícios de que a economia caminha bem.

Pela análise do especialista, uma característica brasileira que foi bastante criticada anteriormente deve ser o casco da tartaruga protegendo o núcleo da economia. Segundo Caminada, o Brasil é um país relativamente fechado, com cerca de apenas 20% do seu PIB dependente do mercado externo. Na margem o país é afetado pela cena externa, mas não de forma aguda.

Ainda de acordo com Caminada, essa economia voltada para dentro, que ganhou novo impulso via expansão do crédito, também resulta em empresas voltadas para dentro, com produção pouco dependente da demanda externa.

O mercado está muito assustado com o que acontece lá fora e esquece de olhar aqui para dentro. Tem coisas boas que dão salvaguarda ao Brasil em relação aos outros países e isso não está sendo observado , conclui.

De volta ao dia-a-dia do mercado, o destaque do pregão fica com as ações PN da Petrobras, que subiram 1,12%, para R$ 34,19. O ativo ON da estatal ganhou 0,86%, para R$ 42,01.

Atuando em direção contrária, a ação PNA da Vale fechou com baixa de 0,32%, aos 37,01. Os bancos também caíram, com o papel PN do Bradesco recuando 2,05%, para R$ 29,08. Itaú PN cedeu 1,14%, para R$ 30,20, e Banco do Brasil ON desvalorizou 2,54%, para R$ 22,20.

Entre as siderúrgicas, Usiminas PNA perdeu 1,54%, para R$ 54,15; já o papel ON da CSN subiu 1,10%, para R$ 54,00, e a ação PN da Gerdau ganhou 0,69%, para R$ 29,00.

Forte alta para o papel PNB da Eletropaulo, que subiu 3,74%, para R$ 30,50, recuperando parte das perdas de ontem, quando anunciou a suspensão no pagamento de dividendos, Ainda no setor, Celesc PNB teve valorização de 2,47%, para R$ 45,60.

Na ponta vendedora, Sabesp ON perdeu 6,31%, para R$ 35,60. O papel teve seu reço alvo rebaixado pelo UBS. Sadia PN, Cesp PNB e Telemar ON caíram mais de 3,5% cada.

Fora do Ibovespa, pelo segundo dia consecutivo, os Brazilian Depositary Receipts (BRDs - instrumento que permite que empresas estrangeiras tenham ações negociadas no Brasil) da trading agrícola Agrenco e da controladora da Parmalat, a Laep, caíram de forma acentuada.

O BDR da Agrenco desabou 47,61%, para R$ 0,44. Na sexta-feira passada, a companhia admitiu que pode entrar em recuperação judicial. Já os papéis da Laep declinaram 19,32%, para R$ 0,96. Baixa acentuada também para o papel ON da Tenda, que recuou 14,24%, para R$ 5,36.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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