SÃO PAULO - A sexta-feira foi mais um dia de instabilidade para os mercados brasileiros, que encerram sem tendência única. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) lutou, mas não conseguir escapar da sinalização externa. Apático ao cenário, o dólar voltou a perder valor ante o real. E os juros futuros longos apontaram para baixo, com os agentes mudando suas apostas no final do pregão.

Em Wall Street, a semana acabou da mesma forma que começou: com especulações sobre a capacidade de solvência das maiores detentoras de hipotecas dos Estados Unidos, a Fannie Mae e a Freddie Mac.

Depois de rumores de que as companhias seriam resgatadas pelo governo, o secretário do Tesouro, Henry Paulson, veio a público e disse o governo não planeja intervir nelas. Tal ação não foi suficiente para acalmar os investidores que seguiram vendendo sem dó os papéis das empresas, que chegaram a cair mais de 50% cada.

Mais tarde, o Federal Reserve (Fed, banco central americano) entrou em cena e abriu a janela de redesconto (ferramenta de liquidez do sistema bancário) para as financeiras hipotecárias. O mercado teve um espasmo de alta, mas as vendas voltaram a prevalecer.

Em meio a esses problemas, os americanos também acompanharam o preço do petróleo, que bateu nova máxima de US$ 147 o barril, antes de fechar o dia na faixa dos US$ 145. Cabe lembrar que, entre segunda e terça-feira da semana passada, o barril de WTI perdera cerca de US$ 9 levando os mais otimistas a falar em estouro da bolha . A alta da sexta-feira foi reflexo de problemas políticos entre o Irã, segundo maior produtor do mundo, e Israel, que se sentiu ameaçado pelos testes de mísseis de médio e longo alcance realizados durante a semana.

Em Wall Street, o Dow Jones chegou a quebrar o patamar de 11 mil pontos, fato não observado há dois anos. As vendas recuaram um pouco, mas ainda assim o índice fechou o dia com baixa de 1,14%. O Nasdaq cedeu 0,83%.

Por aqui, os estragos de tal cenário foram poucos. A Bovespa resistiu bem à piora de humor lá fora e operou em alta durante boa parte do pregão. No entanto, no final do dia, as vendas prevaleceram, resultando em leve baixa, de 0,17%, para o Ibovespa, que fechou aos 60.148 pontos. O giro financeiro foi baixo, apenas R$ 4,8 bilhões.

Apesar da queda, o indicador fechou a semana com elevação de 1,31%, primeiro ganho semanal em cinco semanas. No mês, o resultado ainda é negativo, em 7,48%. No ano, a perda está em 5,85%.

No câmbio, o fluxo positivo garantiu o descolamento do humor externo e da instabilidade local. O dólar comercial encerrou a sexta-feira com declínio de 0,55%, valendo R$ 1,600 na compra e R$ 1,602 na venda. Na semana, a divisa recuou 0,37%, mas ainda acumula avanço de 0,31% no mês.

Na roda de pronto da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), a moeda encerrou com desvalorização de 0,56%, a R$ 1,6005. O volume financeiro foi de US$ 262,25 milhões, cerca da metade do registrado na quinta-feira.

Nos juros futuros, o petróleo em alta influenciou em grande parte do pregão, resultando em acúmulo de prêmios. No decorrer do dia, contudo, os agentes passaram a dar maior peso aos indicadores de inflação, que voltaram a sinalizar redução de pressões inflacionárias.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), e a primeira prévia do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), se juntaram ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ao apontar recuo nas medições de preço no comparativo mensal. Tal cenário já leva alguns analistas a acreditar que o pior já passou em termos de pressão inflacionária. Para outros, ainda é cedo para sentir tal alívio.

Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2009 encerrou estável a 13,39% anuais. O DI com vencimento em janeiro de 2010, o mais negociado, acabou com perda de 0,06 ponto, a 15,09% ao ano, depois de bater 15,25% na máxima. O vencimento janeiro 2011 desvalorizou 0,08 ponto, para 15,26%. E janeiro 2012 caiu 0,10 ponto, para 15,20%.

Na ponta curta, os contratos seguiram em alta. Agosto de 2008 subiu 0,02 ponto, projetando 12,36%. Setembro de 2008 também subiu 0,02 ponto, apontando 12,56%. E outubro de 2008 encerrou com aumento de 0,01 ponto, a 12,78%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 443.445 contratos, equivalentes a R$ 36,80 bilhões (US$ 22,79 bilhões), montante 34% inferior ao registrado ontem. O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 256.655 contratos, equivalente a R$ 20,82 bilhões (US$ 12,89 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor Online)

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