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SÃO PAULO - O ciclo formado pela expectativa de menor crescimento na Europa e na Ásia, queda nas commodities e valorização do dólar continuou dominando os negócios nos mercados brasileiros durante a semana passada.

Por aqui, tal cenário tem contorno perverso para a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Com mais de 50% do Ibovespa composto por ações relacionadas às matérias-primas, o desmanche de posições segue, com o índice acumulando perda de 26% desde a máxima registrada em 20 de maio.

O índice fechou a sexta-feira valendo 54.244 pontos, recuo de 1,62%. Petrobras, Vale e siderúrgicas lideraram as perdas. Além dos menores preços para commodities, influenciaram as recomendações de venda por parte de bancos e corretoras estrangeiras.

O Ibovespa fechou a semana com queda acumulada de 4,13%. Em agosto, a baixa já é de 8,84%. No acumulado do ano, o Ibovespa cai 15,09%.

Depois de uma seqüência de quatro meses consecutivos depreciado, o dólar ganha valor ante o real de forma bastante rápida. Em agosto, a divisa estrangeira já aumentou 4,92%, mas ainda registra perda de 7,7% no ano.

Além de acompanhar a valorização mundial do dólar, a formação da taxa do mercado brasileiro também reflete a saída líquida de recursos do país e a formação de posições compradas no mercado futuros, ou seja, os investidores estrangeiros aproveitam o cenário para especular contra o real.

Operando em alta desde o começo dos negócios, o dólar comercial fechou a sexta-feira valendo R$ 1,638 na compra e R$ 1,640 na venda, elevação de 0,86% ante a véspera. Desde a mínima de R$ 1,559 registrada em primeiro de agosto, o dólar já ganhou 5,19%.

Na roda de pronto da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), a moeda avançou 0,71%, para R$ 1,6385. O volume financeiro somou US$ 367,75 milhões.

Na sexta-feira da semana passada, o mercado de juros futuros refletiu a queda das commodities e as notícias indicando que o governo pode elevar a tributação sobre operações de leasing com vistas a conter o avanço do crédito. Alguns agentes não descartam a apreciação do dólar como um ponto de preocupação, já que uma valorização expressiva da moeda pode bater na inflação.

O que marcou a semana foi a baixa liquidez, com uma média de apenas 315 mil contratos negociados por dia. Na primeira semana de agosto, a média diária foi de 571 mil contratos.

Ao final do pregão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado, apontava baixa de 0,08 ponto, a 14,65% ao ano. O vencimento de janeiro 2011 recuou 0,09 ponto, para 14,36%, e janeiro 2012 perdeu 0,11 ponto, para 14,08%.

Entre os contratos curtos, o vencimento para setembro de 2008 caiu 0,02 ponto, para 12,82%. Outubro de 2008 subiu 0,01 ponto para 13,15%. Novembro de 2008 também avançou 0,01 ponto, para 13,343%, e o DI para janeiro de 2009 valorizou 0,02 ponto, para 13,79% ao ano.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 273.750 contratos, equivalentes a R$ 22,43 bilhões (US$ 13,84 bilhões), um dos menores volumes do ano. O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 175.510 contratos, equivalentes a R$ 14,56 bilhões (US$ 8,58 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor Online)

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