Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Mercados: Bovespa fechou a terça-feira em alta e dólar testou nova mínima

SÃO PAULO - No final das contas, a terça-feira encerrou de maneira positiva para os mercados brasileiros. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) garantiu mais um pregão de alta, o dólar caiu para mínimas não registradas em mais de nove anos e os juros futuros apontaram para baixo.

Valor Online |

Tal resumo de mercado parecia pouco factível no começo do dia, quando as preocupações com o setor financeiro dos Estados Unidos derrubavam a bolsa em mais de 3%. O dólar retomava o patamar de R$ 1,60 e os juros futuros acumulavam prêmios de risco.

Assim como a piora, a virada de humor também veio do mercado externo. No começo da tarde, o petróleo caiu de forma acentuada chegando a perder US$ 9, depois que o presidente do Federal Reserve (Fed), banco central americano, Ben Bernanke, disse que a economia dos EUA enfrenta significativos riscos ao crescimento. Também contribuiu para a queda a menor previsão de demanda feita pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). No final do dia, o WTI com entrega para agosto valia US$ 138,74, queda de 4,4%, ou US$ 6,44, maior baixa diária desde janeiro de 1991.

Com isso, os investidores correram das commodities para as bolsas, levando o Dow Jones a testar o território positivo. Depois, agindo com maior racionalidade, os agentes voltaram a vender as ações. Os problemas no setor financeiro ainda estavam lá, assim como a menor previsão de crescimento em meio à inflação crescente.

Parece que passou despercebido, mas a inflação no atacado nos EUA é a maior em 27 anos. O Índice de Preços ao Produtor (PPI) acumula alta de 9,2% em 12 meses até junho, maior leitura desde meados de 1981, quando coincidentemente o mundo passava por um choque no preço da energia.

Na variação mensal, o índice subiu 1,8% em junho, seguindo elevação de 1,4% um mês antes. No núcleo, que exclui alimentos e energia, o PPI avançou 0,2% no mês passado, contra previsão de 0,3%.

No final do dia, o Dow Jones somou 10.962 pontos, ou queda de 0,84%. O Nasdaq ainda manteve os ganhos do dia, terminando com leve alta de 0,13%. O S & P 500, que concentra a maior parte das ações dos bancos e financeiras, perdeu 1,09%.

Ainda nos EUA, as financeiras hipotecárias Freddie Mac e Fannie Mae seguem no centro das discussões. Depois do acesso à janela de liquidez do Fed e possibilidade de maior financiamento governamental, o presidente da Securities and Exchange Commission (SEC, órgão regulador do mercado americano), Christopher Cox, disse que vai buscar limitar a venda a descoberto das ações das companhias junto aos agentes de mercado.

Em outras palavras, a SEC quer impedir as apostas de que os papéis possam cair ainda mais. Só para lembrar, as ações das duas companhias caíram mais de 70% em um mês, conforme crescia um medo de que as empresas precisem de mais capital para financiar seus negócios. A intervenção da SEC não teve efeito sobre o preço dos ativos ontem: Fannie Mae perdeu 27,34% e a Freddie Mac caiu 26,02%.

No mercado interno, o Ibovespa acompanhou a melhora de sentimento no período da tarde, mas ao contrário do Dow Jones, segurou a alta até o final do pregão. O que chamou atenção ontem foi o desempenho da chamada segunda linha, ou small caps, que fizeram frente à queda nas ações da Petrobras, Vale e siderúrgicas, papéis que ditam o rumo do índice em função de seu grande peso na composição da carteira teórica.

Depois de oscilar mais de 2.800 pontos entra a mínima e a máxima, o Ibovespa fechou o dia com valorização de 0,48%, aos 61.015 pontos. O giro financeiro foi alto, passando de US$ 6,16 bilhões. Desde o dia 2 de julho, o índice não voltara ao patamar de 61 mil pontos.

No câmbio, a forte piora de humor da parte da manhã levou a moeda a R$ 1,601 na máxima, mas as vendas prevaleceram. O fluxo segue positivo e os agentes vendem moeda à espera dos dólares que vêm para a oferta de ações da Vale, que movimentará cerca de R$ 20 bilhões.

Ao final da terça-feira, a moeda era negociada a R$ 1,585 na compra e R$ 1,587 na venda, recuo de 0,37%. A cotação é a menor já registrada desde 19 de janeiro de 1999, quanto o dólar encerrou a R$ 1,558.

Na roda de pronto da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), a moeda encerrou com baixa de 0,51%, também negociada a R$ 1,587. O volume financeiro somou US$ 494,25 milhões. O giro interbancário passou de US$ 3,8 bilhões.

No mercado de juros futuros, parece que a idéia de que o pior da inflação já passou ganha adeptos. As curvas ameaçaram alta durante a manhã, mas seguiram a melhora externa e a queda do petróleo fechando o dia em baixa.

O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, voltou a afirmar que fará o necessário o quanto for necessário para assegurar a meta de 2009. O titular do BC também espera que parte do ajuste de juros já tenha impacto sobre os preços em 2008, mas reconhece a influência maior deve ficar sobre 2009.

Na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2009 caiu 0,01 ponto, a 13,41% anuais. O DI com vencimento em janeiro de 2010, o mais negociado, acabou com perda de 0,11 ponto, a 15,02% ao ano. O vencimento janeiro 2011 se desvalorizou 0,21 ponto, para 15,08%, e janeiro 2012 perdeu 0,24 ponto, para 14,86%.

Na ponta curta, agosto de 2008 recuou 0,03 ponto, projetando 12,37%. Setembro de 2008 cedeu 0,01 ponto, apontando 12,58%, e outubro de 2008 encerrou estável a 12,80%.

(Eduardo Campos | Valor Online)

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG