SÃO PAULO - Depois de dois pregões de forte alta, a instabilidade externa serviu de pretexto para um dia de realização de lucros na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Em baixa desde o começo dos negócios, o Ibovespa fechou o dia com recuo de 0,82%, aos 59.505 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,30 bilhões.

Com o resultado de hoje, o índice fecha julho com desvalorização de 8,48%, o que faz do mês o segundo pior de 2008. No acumulado do ano, a desvalorização está em 6,86%. E em comparação com a máxima registrada em 20 de maio, a baixa é de 19,06%.

Em Wall Street, o crescimento da economia abaixo do esperado durante o segundo trimestre pesou sobre o humor do investidor. O Dow Jones fechou o dia com perda de 1,78%, enquanto o Nasdaq caiu 0,18%.

Segundo o Departamento de Comércio dos EUA, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu a uma taxa anualizada de 1,9% entre abril e junho, contra a previsão que oscilava entre 2% a 2,3%. Também teve peso negativo no dia a alta maior do que a prevista nos pedidos por seguro-desemprego.

De acordo com um operador de mercado que pediu para não se identificar, a bolsa brasileira refletiu o noticiário externo negativo, com os agentes que atuaram na compra na terça e quarta-feira passando a vender alguma de suas posições. Só não caiu mais porque algumas grandes instituições financeiras seguraram o preço na raça no final do pregão, disse.

Além das notícias negativas, a queda no preço do petróleo e as outras commodities operando perto da estabilidade também desestimularam as compras. Na realidade, o mercado ainda é pessimista. Falta dinheiro novo, avalia.

Para o mês que vem, a expectativa segue sendo de mais instabilidade. A agenda reserva a reunião do Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, e o balanço de grandes empresas brasileiras, como os bancos e a Vale.

Para o operador, por mais que o Fed ameace subir a taxa básica, o fraco desempenho da economia e a ainda restrita liquidez nos mercados financeiros impede que tal medida seja efetivada.

No âmbito corporativo, seja na alta ou na baixa, a direção do índice é dada pelas ações da Petrobras, Vale e siderúrgicas: e hoje todas elas foram para baixo.

A ação PN da estatal cedeu 1,64%, para R$ 35,90, Vale PNA recuou 1,82%, para R$ 40,85, e CSN ON perdeu 3,31%, para R$ 61,30. Ainda entre as siderúrgicas, Usiminas PNA caiu 2,54%, para R$ 69,00.

Baixa com volume elevado para Bradesco PN, que se desvalorizou 0,89%, para R$ 33,15. As units do Unibanco cederam 1,97%, para R$ 20,80. Já as ações PN do Itaú reverteram as perdas nos instantes finais e encerraram com alta de 0,29%, para R$ 33,50.

As ações ON da JBS fecharam o dia valendo 1,75% menos, negociadas a R$ 8,40. A dona do frigorífico Friboi fechou o segundo trimestre do ano com prejuízo de R$ 364 milhões, resultado de perdas financeiras e margens comprimidas.

Perda acentuada para Gafisa ON, que recuou 4,25%, para R$ 27,00, Gol PN caiu 4,02%, para R$ 15,96, e Duratex PN perdeu 3,19%, para R$ 28,46.

Na ponta oposta, Lojas Renner ON apresentou alta de 3,25%, para R$ 31,39, Telemar Norte Leste PNA subiu 3,08%, para R$ 93,60, e Cteep PN ganhou 2,90%, para R$ 54,28.

Fora do índice, destaque de alta para os BDRs da Agrenco, que subiram 26,61%, para R$ 1,57. A companhia, que atua no agronegócio brasileiro e passa por dificuldades financeiras, ainda analisa proposta de investimento ou aporte de capital de três investidores.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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