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Mercados: Bovespa, dólar e juros reagiram ao dólar e às commodities

SÃO PAULO -A semana começou de forma bastante negativa para os mercados brasileiros, com a reversão na tendência de queda do dólar e alta das commodities atingindo a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o dólar e os juros futuros.

Valor Online |

Depois de uma semana de apreciação ante as principais moedas globais, alguns analistas acreditam que o movimento global de desvalorização do dólar e conseqüente aumento das matérias-primas chegou ao fim.

Tal percepção vem acompanhada da crença de que a fase mais aguda da crise já passou nos Estados Unidos e que agora é a vez da Europa e da Ásia sofrerem de forma mais intensa com a restrição de crédito e menor crescimento.

Essa perspectiva leva os agentes a fazer o caminho inverso daquele observado de forma mais intensa desde agosto do ano passado, quando a crise nos EUA levou a uma descrença no dólar e busca de proteção do dinheiro em ativos reais - leia-se commodities e bolsas de valores.

Por aqui, os impactos de tal reversão são diretos - na Bovespa, via empresas exportadoras de commodities, que juntas representam quase 50% do índice; no dólar e nos juros, o efeito é conjunto, via redução de saldos comerciais, piora de contas externas e estrutura de oferta interna dependente de importações.

Nos Estados Unidos, os agentes recebem tal mudança de forma positiva, pois reduz as pressões inflacionárias que ameaçavam o país. O Dow Jones fechou a segunda-feira com elevação de 0,41%, enquanto o Nasdaq ganhou 1,07%.

Cabe, contudo, uma ressalva sobre essa fuga para os EUA. A economia por lá segue bastante fragilizada e as empresas devem continuar com resultados pouco animadores. Isso implica que a valorização dos índices acionários pode se mostrar pouco duradoura, com um conseqüente ajuste de baixa por lá potencializando as perdas por aqui.

De volta para o dia-a-dia, Petrobras, Vale e siderúrgicas puxaram uma queda de 3,29% para o Ibovespa, que fechou a 54.720 pontos. O giro financeiro ficou em R$ 4,89 bilhões.

Com tal cenário se configurando, não há razão para a compra de ações, principalmente por parte do estrangeiro, pois, caso se consolide a baixa das commodities, as ações vão cair ainda mais.

No câmbio, a segunda-feira marcou o sexto dia de apreciação do dólar ante o real. A moeda estrangeira já ganhou 3,8% sobre a divisa brasileira nesse período, e uma valorização ainda maior é contida pelas entradas de capital de longo prazo e pela atratividade das operações de arbitragem de taxa de juros.

Depois de uma breve tentativa de baixa na abertura dos negócios, o dólar comercial fechou a segunda-feira com aumento de 0,43%, a R$ 1,614 na compra e R$ 1,616 na venda.

Na roda de pronto da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F) a moeda subiu 0,37%, para R$ 1,614. O volume financeiro somou US$ 193,5 milhões.

Nos juros futuros, além da preocupação com o fator câmbio sobre a inflação, os agentes lidaram com previsões divergentes dentro do boletim Focus. No entanto, o baixo número de negócios, um dos menores do ano, tornou o pregão pouco representativo.

Pela mediana das previsões, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve encerrar 2008 em 6,45%, dentro da meta de inflação que tem teto em 6,5%. Para 2009, a projeção seguiu ancorada em 5%, pela quarta semana consecutiva. Pela mediana do Top 5, grupo composto pelas cinco instituições que mais acertam os prognósticos, o IPCA deve ficar em 6,66% em 2008, avançando de 6,52% na semana anterior. Para 2009, a estimativa subiu de 5% para 5,10%.

Na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado, fechou com acréscimo de 0,08 ponto, a 14,67% ao ano. O vencimento janeiro 2011 avançou 0,13 ponto, para 14,41%, e janeiro 2012 ganhou 0,15 ponto, para 14,15%.

Entre os contratos curtos, o vencimento para setembro de 2008 perdeu 0,02 ponto, para 12,85%. Outubro de 2008 ganhou 0,01 ponto, para 13,12%. Novembro de 2008 também subiu 0,01 ponto, para 13,32%, e janeiro de 2009 encerrou estável, a 13,72%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 266.010 contratos, equivalentes a R$ 21,69 bilhões (US$ 13,44 bilhões), montante 53% menor que o registrado na sexta-feira da semana passada e um dos mais baixos do ano. O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 146.255 contratos, equivalentes a R$ 12,09 bilhões (US$ 7,49 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor Online)

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