SÃO PAULO - A semana começou sem tendência definida nos mercados brasileiros. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) não resistiu à instabilidade externa e voltou para o território negativo. O dólar perdeu valor ante o real, mas continuou respeitando o piso de R$ 1,600. Os juros futuros apontaram para baixo mesmo com a nova piora nas projeções de inflação.

A segunda-feira começou com ares de recuperação no mercado de renda variável, com a queda no preço do petróleo melhorando o humor do investidor americano. Dois eventos subseqüentes, contudo, mudaram o tom do dia.

O setor financeiro americano virou de direção depois que relatório do Lehman Brothers apontou que as financeiras hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac precisarão captar bilhões de dólares no caso de alteração de normas contábeis, que obrigariam a contabilização de ativos que não são considerados nos demonstrativos financeiros.

As declarações da presidente do Federal Reserve (Fed) de São Francisco, Janet Yellen, também pesaram sobre o humor do investidor. A presidente falou que a inflação deve permanecer elevada e que os problemas no setor financeiro e imobiliário devem piorar antes de melhorar. E que tal melhora só começaria a ser visível em 2009.

Os investidores acompanharam ainda as notícias corporativas. Segundo o Wall Street Journal (WSJ), a General Motors (GM) planeja o corte de centenas de postos administrativos e a venda ou descontinuidade de algumas de suas marcas. No setor de tecnologia, sugiram novas notícias sobre o interesse da Microsoft em comprar parte ou todo o portal de internet Yahoo.

Em Wall Street, o Dow Jones esboçou uma retomada no final da tarde, mas acabou o dia com perda de 0,5%. Na bolsa eletrônica Nasdaq as perdas foram menores, de 0,09%.

Por aqui, o Ibovespa devolveu os ganhos de 2,4% do período da manhã encerrando a segunda-feira com queda de 0,47%, aos 59.088 pontos. O giro financeiro segue baixo, em R$ 4,59 bilhões. O destaque do pregão ficou com o setor siderúrgico, que operou em alta depois que o JP Morgan divulgou relatório com tom positivo citando a demanda interna forte e os preços em elevação.

No câmbio, a virada de humor acabou não interferindo de forma decisiva na formação da taxa. Depois de subir a R$ 1,611 na máxima, o dólar comercial encerrou o dia valendo R$ 1,599 na compra e R$ 1,601 na venda, mostrando queda de 0,43%.

Na roda de pronto da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), a moeda declinou 0,44%, também a R$ 1,601. O volume financeiro foi de US$ 282,25 milhões.

Depois de uma semana de acentuada elevação, os contratos de juros futuros passaram por realização de lucros. A redução nos prêmios de risco aconteceu mesmo em meio à piora nas projeções de inflação para 2008 e 2009.

Pelo Boletim Focus, do Banco Central (BC), o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve encerrar 2008 em 6,4%, contra 6,3% da semana passada. Com 15 revisões seguidas de alta, a projeção se aproxima do teto da meta, de 6,5%. Para 2009, a estimativa foi revista pela quarta semana consecutiva, apontando inflação oficial de 4,91%, sobre 4,8% previstos anteriormente.

Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2010, o mais negociado, perdeu 0,11 ponto, a 15,36% ao ano, depois de cair a 15,33% na mínima. O vencimento janeiro 2011 desvalorizou 0,12 ponto, para 15,55%. E janeiro 2012 recuou 0,11 ponto, para 15,34%.

Na ponta curta, agosto de 2008 fechou com baixa de 0,01 ponto, projetando 12,32%. Setembro de 2008 também perdeu 0,01 ponto percentual, apontando 12,56%. E outubro de 2008 ganhou 0,02 ponto, a 12,81%. E o DI para janeiro de 2009 subiu 0,01 ponto percentual, para 13,50%, anuais.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 522.165 contratos, equivalentes a R$ 42,58 bilhões (US$ 26,69 bilhões). O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 274.635 contratos, equivalente a R$ 22,17 bilhões (US$ 13,77 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor Online)

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