SÃO PAULO - As medidas internacionais de injeção de capital nos mercados e nos bancos das principais economias do mundo garantiram uma forte recuperação na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) hoje. Decisões tomadas ao longo do fim de semana por países desenvolvidos, algumas anunciadas hoje, levaram os investidores a considerarem que o pior da crise pode ter sido ultrapassado na semana passada.

O Ibovespa conseguiu subir 14,66%, maior variação desde 15 de janeiro de 1999. A valorização compensou boa parte da perda de 20% acumulada na última semana. Depois de fechar aos 35.609 pontos na última sexta-feira, o índice conseguiu retomar níveis superiores aos 40 mil pontos e fechou com 40.829 pontos, na máxima do dia. O giro financeiro ficou dentro da normalidade, em R$ 5,247 bilhões.

A resposta dos governos de países desenvolvidos foi considerada bastante forte pelos mercados, suficiente para promover uma recuperação das bolsas no mundo todo. Na Europa e nos Estados Unidos a valorização superou 11% nos principais índices acionários. Isso deu estímulo suficiente para que a bolsa paulista mostrasse ganhos ainda maiores, já que vinha também apontando perdas superiores às verificadas lá fora.

As propostas discutidas por líderes em encontros do G-7, G-20, Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial resultaram em novas medidas de proteção aos bancos e de liquidez financeira, entre elas a ação coordenada na zona do euro para garantir créditos interbancários até 31 de dezembro de 2009, em mais uma tentativa de devolver liquidez à região. Soma-se a isso o compromisso de evitar a quebra de outras instituições financeiras com recapitalização.

Os agentes chamam atenção para o fato de que o Federal Reserve (Fed), o Banco Central Europeu (BCE) e outros três grandes bancos centrais se comprometeram a garantir liquidez em dólar, na quantidade que for necessária. Também valeu nota o fato de o governo inglês informar desembolso de US$ 63 bilhões para recapitalizar os bancos RBS, HBOS e Lloyds TSB.

Para completar o cenário favorável, o mercado assistiu a conclusão da operação de aporte do Mitsubishi UFJ (MUFG) no Morgan Stanley, no valor de US$ 9 bilhões, o que dará ao banco japonês uma participação de 21% no capital do banco norte-americano. Na semana passada, aumentaram muito os rumores de que esse acordo não sairia e que, sem ele, o Morgan poderia quebrar.

Analistas também mencionam como fato positivo a decisão do Banco Central (BC) de implantar um programa de liberação integral dos recolhimentos compulsórios sobre depósitos a prazo, sobre os depósitos interfinanceiros e sobre a exigibilidade adicional de depósitos à vista e a prazo. A previsão é de injetar até R$ 100 bilhões no mercado.

As ações de bancos foram favorecidas pela decisão. Bradesco PN avançou 22,12%, a R$ 26,99; as ações PN do banco Itaú subiram 23,37%, para R$ 28,24. Os papéis do Unibanco tiveram alta de 22,76%, para R$ 16,50 e Banco do Brasil ON avançou 20,71% (R$ 16,90).

Pedro Galdi, analista de investimentos da SLW corretora afirma que é possível que os mercados continuem ajustando as distorções ao longo dos próximos dias, mas a volatilidade ainda deve persistir. As compras de hoje, movidas por interesse dos investidores em papéis que ficaram muito desvalorizados podem continuar, mas qualquer notícia ruim lá fora, tende a devolver um pouco de incerteza aos agentes.

A questão a ser analisada agora pelo mercado é o tamanho do estrago causado pela crise financeira nas principais economias do mundo. A partir de indicadores, os analistas farão contas e talvez o mercado demande novas medidas por parte dos governos que garantam crescimento econômico. Assim, as bolsas podem continuar ressentindo esse tipo de preocupação. Hoje, no entanto, prevalece no mercado a percepção de que a histeria e o pânico observados na semana passada não tendem a se repetir.

Entre os ativos de maior peso na carteira, Petrobras PN ganhou 12,08%, para R$ 26,90; Vale PNA ganhou 13%, para a R$ 27,46; BM & FBovespa ON teve valorização de 16,89%, para R$ 8,65; e Vale ON aumentou 13,07%, para R$ 32.

No topo de alta se destacaram, além de bancos, Net PN, com alta de 21,84% (R$ 14); Braskem PNA, que subiu 21,23% (R$ 8,62) e Lojas Renner, com aumento de 21,21% (R$ 19,20). Nenhum dos papéis listado no índice fechou com queda.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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