SÃO PAULO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) passou por uma acentuada recuperação nes terça-feira, seguindo a queda de mais de 9% registrada ontem. Apoiado no sinal externo positivo, o Ibovespa apresentou alta de 7,63%, encerrando aos 49.

541 pontos. O giro financeiro, no entanto, foi baixo, de R$ 4,87 bilhões.

Apesar da forte retomada, o índice encerra o mês com perda de 11,03%, o que faz de setembro o pior mês da bolsa desde abril de 2004, quanto o índice caiu 11,45%. O desempenho trimestral também foi bastante negativo: queda de 23,80%. E no acumulado do ano, a bolsa perde 22,45%.

Segundo o diretor de operações da Hera Investment, Nicholas Barbarisi, a bolsa teve uma forte recuperação das perdas de ontem, com destaque para um acentuado movimento comprador na última meia hora de sessão.

"O mercado se animou na expectativa de que seja aprovado o pacote de auxílio ao sistema financeiro", aponta Barbarisi, destacando a sinalização externa de que democratas e republicanos podem fechar um novo acordo para um projeto de resgate ao setor financeiro dos EUA.

Esse assunto, aliado à idéia de que o Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, também pode cortar os juros também estimulou uma forte recuperação em Wall Street, onde o Dow Jones chegou ao final do dia com alta de 4,68%. A bolsa eletrônica Nasdaq subiu 4,97%.

Barbarisi acredita que a aprovação de um plano para conter a crise pode reduzir a volatilidade extremada que a bolsas têm experimentado, mas que o horizonte continua incerto, pois não se sabe se mais bancos podem falir.

De acordo com o especialista, o principal canal de transmissão da crise externa para o lado real da economia brasileira é a restrição de crédito, que já é sentida pelas instituições financeiras do país.

Para Barbarisi, a maior dificuldade em conseguir dinheiro deve chegar também ao consumidor, que pode reduzir o ritmo de compras levando a um menor crescimento da economia em 2009. Tal cenário já era esperado, e o que pode acontecer é ele se acentuar um pouco, avalia o diretor da Hera.

Em compensação, nas economias desenvolvidas o cenário é extremamente desfavorável, com quadro recessivos nos Estados Unidos, Europa e Japão.

No âmbito corporativo, destaque para os carros-chefe. Petrobras PN liderou o volume negociado avançando 7,17%, para R$ 31,90, e Vale PNA subiu 7,95%, para R$ 32,71.

Forte alta no final da sessão para os bancos. Itaú PN teve o terceiro maior volume do dia ganhando 9,77%, para R$ 31,90. Bradesco PN, que chegou a operar em território negativo, teve alta de 8,56%, para R$ 30,94. Ainda no setor, o ativo ON do Banco do Brasil subiu 11,13%, negociado a R$ 22,75.

Liderando os ganhos dentro do índice, BM & FBovespa ON disparou 17,07%, para R$ 8,50. Telemar ON subiu mais de 15% e Brasil Telecom PN, Redecard ON, Lojas Renner ON e Eletropaulo PNB tiveram valorização superior a 13% cada.

Apenas três dos 66 papéis que compõem o Ibovespa tiveram queda. Cosan ON perdeu 3,78%, para R$ 12,70 e Comgás PNA caiu 1,98%, para R$ 41,00. As units da América Latina Logística recuaram 2,25%, para R$ 13,00, mas chama atenção a disparada de 98,41% do papel ON da companhia, que vale, agora, R$ 5,0.

Fora do índice, destaque para OGX Petróleo ON, com ganho de 22,85%, para R$ 387,00 e elevado volume financeiro. Depois de perder 30% ontem, a ação PN do Banco Panamericano teve alta de 23,43%, para R$ 3,95.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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