SÃO PAULO - Passada a euforia pelo dia de eleição presidencial nos EUA ontem, hoje os agentes voltaram a focar os problemas econômicos que os EUA têm pela frente sob a gestão do democrata Barack Obama, que toma posse em janeiro. Até lá, os mercados apontam para continuidade de incertezas e volatilidade.

Hoje a bolsa paulista seguiu os passos de Wall Street e devolveu todo o ganho registrado ontem.

Depois de subir mais de 5% ontem, o Ibovespa sustentou desvalorização o dia todo e fechou em queda de 6,13%, aos 37.785 pontos. O giro financeiro foi de R$ 4,534 bilhões. Na mínima do dia, o índice tocou 37.710 pontos. Agentes de mercado afirmam que a bolsa chegou muito rapidamente acima dos 40 mil pontos, o que justificou o ajuste nesta jornada.

A realização de lucros em Nova York e na Europa impulsionou o movimento doméstico. As bolsas européias caíram mais 2% e, em Nova York, o Dow Jones registrava queda de 3,81% há pouco, enquanto o Standard & Poor´s 500 declinava 3,82% e o Nasdaq cedia 3,94% antes do fechamento.

Embora as condições de liquidez no mercado financeiro global continuem melhorando, os agentes ponderam que o pregão foi de retorno à realidade. A cautela antecipa também um agenda pesada de indicadores amanhã.

A atividade do setor não-manufatureiro dos Estados Unidos contraiu-se mais em outubro. O indicador que mede o desempenho do setor de serviços ficou em 44,4, ou 5,8 pontos abaixo da leitura apurada em setembro, de 50,2. O dado é do Institute for Supply Management (ISM).

No setor privado não-agrícola dos Estados Unidos houve corte de 157 mil vagas entre setembro e outubro, respeitando ajuste sazonal, conforme relatório da ADP, empresa que processa folha de pagamentos.

Januário Hostin Junior, gestor da Leme Investimentos, acredita que por aqui a influência negativa também veio dos preços do petróleo, que voltaram a cair com força e impulsionaram vendas dos papéis da Petrobras, que tem forte peso para índice.

O setor bancário, que também subiu bastante nos últimos dois dias devido à fusão entre Itaú e Unibanco, sofreu com a realização de ganhos de curto prazo. As ações da Itaúsa PN caíram 10,03% (R$ 7,89); Banco Itaú PN cedeu 8,76% (R$ 25,91); Banco do Brasil ON perdeu 3,07% (R$ 16,05), Bradesco PN recuou 7,55% (R$ 24,97) e as units do Unibanco declinaram 10,90% (R$ 14,14).

Entre outros ativos de peso relevante na carteira, Petrobras PN caiu 3,38% (R$ 24,25); Petrobras ON declinou 3,83% (R$ 29,81); BM & FBovespa ON teve queda de 11,70% (R$ 5,96); Vale PNA perdeu 7,03% (R$ 25,77) e Vale ON cedeu 8,50% (R$ 28,40).

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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