Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Mercados: Bovespa desabou 9,36% ontem ante rejeição a pacote nos EUA

SÃO PAULO - A segunda-feira foi um dia histórico para os mercados. A derrota do projeto de resgate ao setor financeiro norte-americano causou mais estragos do que os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 nas bolsas aqui e em Wall Street.

Valor Online |

Apesar das dúvidas quanto à eficácia do plano de US$ 700 bilhões, a ajuda era a única medida concreta na agenda para tentar restabelecer a confiança dos investidores no sistema financeiro e permitir, assim, a retomada das operações de crédito ao redor do mundo.

A instabilidade era grande desde o começo do dia, mas o pânico tomou conta depois que os congressistas norte-americanos disseram não ao projeto do Tesouro. A medida foi rejeitada por 228 votos a 205 na Câmara dos Representantes dos EUA.

Em Wall Street, o Dow Jones desabou 777,68 pontos, maior queda diária em pontos já registrada, ou 6,98%. A bolsa eletrônica Nasdaq perdeu 9,14%, e o S & P 500 desvalorizou 8,79%.

Por aqui, o Ibovespa caiu mais de 10% no começo da tarde acionando o " circuit breaker " - medida preventiva que pára automaticamente as negociações quando as oscilações são muito bruscas. Com isso, o pregão ficou paralisado das 14h49 até as 15h19. Retomado os negócios, o índice chegou a ceder 13,8% antes de recuperar um pouco de fôlego e encerrar com desvalorização de 9,36%, aos 46.028 pontos. Todos os 66 papéis que compõem o índice fecharam em baixa, sendo que 23 deles tiveram desvalorização de dois dígitos.

A queda diária foi a maior desde 14 de janeiro de 1999, data da maxidesvalorização cambial, quando o índice fechou em baixa de 9,97%. O " circuit breaker " também não era ativado desde então.

No câmbio, o dólar disparou ante o real, registrando, também, o maior ganho diário desde a maxidesvalorização de 1999. Os investidores compraram moeda tanto no mercado à vista quanto no futuro buscando se proteger da instabilidade.

Depois de bater R$ 2 na máxima do dia, o dólar acabou negociado a R$ 1,964 na compra e R$ 1,966 na venda, elevação de 6,21%. No mês, a moeda já ganhou 20,24%, ante o real.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F) a moeda subiu 6,16%, a R$ 1,966. O volume financeiro somou US$ 676 milhões, quatro vezes maior do que o observado na jornada antecedente.

O mercado de juros futuros permaneceu à parte da instabilidade externa durante a maior parte do pregão, as taxas reverteram as perdas do dia depois da disparada do dólar, mas, comparativamente aos outros mercados, o acumulo de prêmios foi pouco expressivo.

Consolida-se a idéia de que a restrição de crédito também terá efeitos sobre atividade econômica brasileira, o que exigirá menos trabalho do Banco Central (BC) para conter a atividade e, assim, debelar a disparidade entre oferta e demanda que tanto preocupa o colegiado da autoridade monetária.

Além disso, a inflação e, mas importante do que isso, as expectativas de inflação continuam recuando, tanto na medida para 2008 quanto para 2009.

Ao fim do pregão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado, apontava alta de 0,05 ponto percentual, a 14,71% ao ano, depois de bater 14,59% na mínima. O vencimento janeiro 2011 teve valorização de 0,09 pontos, a 14,65%, e Janeiro 2012 projetava 14,57%, aumento 0,21 ponto.

Entre os contratos curtos, o vencimento para outubro de 2008 fechou estável a R$ 13,61%. Novembro 2008 recuou 0,01 ponto, a 13,62%. Dezembro de 2008 também caiu 0,01 ponto, para 13,86%. O DI para janeiro de 2009 declinou 0,02 ponto, fechando a 14,01% ao ano.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 538.515 contratos, equivalentes a R$ 45,77 bilhões (US$ 24,67 bilhões). O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 260.295 contratos, equivalentes a R$ 21,91 bilhões (US$ 11,81 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor Online)

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG