SÃO PAULO - Os mercados financeiros voltaram a operar com fortes variações negativas lá fora e arrastam junto a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Em direção oposta, no câmbio, há alta substancial do dólar frente ao real, mesmo com operações do Banco Central (BC) para atender à demanda por moeda americana.

Instantes atrás, o Ibovespa registrava baixa de 7,91%, aos 38.279 pontos, perto da mínima de 38.197 pontos registrada até agora. O giro financeiro no momento é de R$ 1,825 bilhão. Lá fora, o Dow Jones cedia 3,90% e o Standard & Poor´s 500 tombava 4,75%.

No câmbio, o dólar comercial operava comprado a R$ 2,1830 e vendido a R$ 2,1850, com elevação de 4,39%. Agentes de mercado afirmam que o giro até agora não passava dos US$ 500 milhões. A divisa sustentou alta mesmo após o BC ter feito leilão à vista, com taxa de corte de R$ 2,1450.

Os agentes acordaram mais pessimistas nesta sessão. O temor de uma possível recessão e o comportamento das vendas no varejo americano, que ficaram abaixo do esperado em setembro, contribuem para esse sentimento.

Assim, o Ibovespa, que já havia fechado na contramão de Nova York ontem, com valorização de 1,81%, amanheceu com baixa. "As medidas do governo não entram em ação com passe de mágica, os resultados demoram", diz Vanderlei Arruda, gerente de câmbio da corretora Souza Barros, lembrando que, até que o dinheiro comece a circular efetivamente, reduzindo o problema de liquidez, o mercado tende a olhar com preocupação para os números da economia real.

Arruda lembra ainda que a trajetória de outras moedas de países emergentes também estão caindo em relação ao real, o que corrobora para a valorização da divisa. Com a trajetória firme, o máximo que o BC consegue fazer com seus leilões é colocar "algumas barreiras de alta", mas nem sempre tem sucesso em inverter a trajetória da moeda.

Além do leilão à vista, o BC executou leilão de linha de até US$ 1 bilhão, agendado ontem. Ainda há oferta de swap cambial, às 13h. "O BC está tentando estabelecer alguns tetos cada vez que entra no câmbio", diz Arruda.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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