SÃO PAULO - Passada a euforia pelo dia de eleição presidencial nos EUA, os agentes voltaram ontem a focar os problemas econômicos que os EUA têm pela frente sob a gestão do democrata Barack Obama, que toma posse em janeiro. Até lá, os analistas apontam para a continuidade de incertezas e volatilidade.

Nesse clima, a bolsa paulista seguiu os passos de Wall Street e devolveu todo o ganho registrado na terça-feira, quando subiu mais de 5%. Ontem, o Ibovespa caiu 6,13%, aos 37.785 pontos. O giro financeiro foi de R$ 4,534 bilhões. Na mínima do dia, o índice tocou 37.710 pontos.

Já o dólar comercial teve um dia de volatilidade e fechou negociado a R$ 2,117 na compra e R$ 2,119 na venda, elevação de 0,33%. Entre a máxima e a mínima, a divisa oscilou de R$ 2,099 a R$ 2,139. O giro interbancário chegou a US$ 2,168 bilhões.

Agentes de mercado afirmam que a bolsa chegou muito rapidamente acima dos 40 mil pontos, o que justificou o ajuste nesta jornada. A realização de lucros em Nova York e na Europa impulsionou igual tendência no Brasil. As bolsas européias caíram 2% e, em Nova York, a baixa superou 5%.

Embora as condições de liquidez no mercado financeiro global continuem melhorando, os agentes ponderam que o pregão foi de retorno à realidade: atividade fraca e corte de empregos. A atividade do setor não-manufatureiro dos Estados Unidos contraiu-se em outubro e ficou em 44,4, ou 5,8 pontos abaixo da leitura apurada em setembro, de 50,2. No setor privado não-agrícola dos Estados Unidos houve corte de 157 mil vagas entre setembro e outubro conforme relatório da ADP.

Januário Hostin Junior, gestor da Leme Investimentos, acredita que por aqui a influência negativa também veio dos preços do petróleo, que voltaram a cair com força e impulsionaram vendas dos papéis da Petrobras, que tem forte peso para índice. Petrobras PN cedeu 3,38% (R$ 24,25); Petrobras ON declinou 3,83% (R$ 29,81). Outro papel de peso, Vale PNA perdeu 7,03% (R$ 25,77).

No setor bancário, onde a alta foi forte desde o início da semana devido à fusão entre Itaú e Unibanco, as ações sofreram correção: Itaúsa PN caiu 10,03% (R$ 7,89); Banco Itaú PN cedeu 8,76% (R$ 25,91) e as units do Unibanco declinaram 10,90% (R$ 14,14).

No segmento cambial, o mercado levou em conta não só a piora no segmento acionário, mas também operações pontuais. Segundo João Medeiros, diretor de câmbio da Pionner, há atualmente um nível de resistência da moeda, situado em R$ 2,10. Quando chega nesse patamar, o dólar atrai muitos compradores, o que desencadeia novas altas da divisa.

O Banco Central (BC) fez duas operações que tiveram pouco efeito sobre a cotação da moeda no mercado à vista. Além de ter colocado US$ 475,6 milhões com venda de contratos de swap cambial, o BC fez o primeiro leilão de linha atrelado a futuras concessões de crédito para exportação. A oferta teve 18 propostas aceitas e colocação de US$ 1,453 bilhão.

Agentes de mercado avaliam que a operação pode ser considerada de sucesso já que a oferta total era de US$ 2 bilhões e muitos bancos acessaram o instrumento. Esse resultado, no entanto, não foi conhecido até o fechamento do pregão cambial. Assim, é possível que a moeda se ajuste mediante essa informação sobre a oferta.

A variação incerta e pequena do dólar colaborou para movimento similar nas taxas de Depósitos Interbancários (DIs) negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F). No começo do pregão a sessão foi volátil, com taxas operando em direções opostas. No final, entretanto, o segmento firmou pequenas variações de altas na maioria dos contratos.

"A piora do humor nas bolsas contaminou os DIs", diz Ures Folchini, vice-presidente de tesouraria do banco WestLB. Segundo ele, o segmento também embute preocupações do mercado com os próximos passos do Banco Central na condução da política monetária e expectativas em relação à ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que será divulgada hoje.

O DI com vencimento em janeiro de 2010 subiu 0,03 ponto percentual, a 15,34% ao ano. O contrato de janeiro de 2012 também avançou 0,03 ponto, para 16,44% anuais. O vencimento de janeiro de 2009 apontou alta de 0,01 ponto, para 13%73% ao ano.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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