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Mercados: Bovespa caiu 3,97% em uma sexta-feira de forte pessimismo

SÃO PAULO - O pânico voltou a predominar no pregão final da semana passada, que terminou em clima de expectativa. Com perdas em Nova York e na Europa, o mercado brasileiro verificou queda na bolsa paulista e forte alta dos Depósitos Interbancários (DIs), do risco-país e do dólar comercial, mesmo após quatro atuações do Banco Central (BC) no câmbio.

Valor Online |

Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), os negócios pararam com meia hora de abertura após o Ibovespa ter caído mais de 10%. Com a retomada das operações, o Ibovespa trabalhou em queda de cerca de 7% durante quase todo o dia. Na reta final, entretanto, houve um respiro e o índice reduziu a desvalorização. O Ibovespa fechou aos 35.609 pontos, diminuição de 3,97%. Na semana, o índice acumulou perda de 20%.

O dólar comercial foi negociado a R$ 2,312 na compra e R$ 2,314 na venda, com aumento de 5,27%. Na semana, a divisa subiu 13,10%, com acréscimo total de 21,53% nos oito pregões do mês de outubro. No ano, a moeda já soma alta de 30,22%.

Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), os DIs mais longos saltaram também. O contrato para janeiro de 2010 subiu 0,24 ponto percentual, a 14,99% ao ano. O vencimento de janeiro de 2011 avançou 0,58 ponto percentual, para 15,70% anuais, e Janeiro 2012 projetou 16,07%, ganho de 0,75 ponto. O risco Brasil (EMBI+), calculado pelo Banco JP Morgan Chase, fechou aos 520 pontos, com um salto de 18,18%. É o maior patamar já alcançado pelo indicador de confiança desde 2 de setembro de 2004 (522 pontos).

A razão para o estresse continuou sendo o temor de novas quebras no setor bancário e a incerteza dos investidores em relação a uma possível solução para a crise internacional. Na reta final, as bolsas reduziram as perdas, movimento que pode ter vindo da análise relativamente positiva do leilão de liquidação de derivativos de crédito (CDSs) ligados ao Lehman Brothers, ocorrido na sexta-feira, ou mesmo da expectativa em relação às reuniões do G7 e do G20, que tiveram início no mesmo dia. O mercado levou em conta ainda rumores envolvendo a redução do rating da GM e a quebra do Morgan Stanley, que não se confirmaram ao fim da jornada.

Para Álvaro Bandeira, diretor da corretora Ágora Sênior, os mercados mostraram na sexta-feira que precisam de um " desfibrilador " para que possam sair do estado de pânico. Medidas para causar esse efeito envolveriam mais do que já foi proposto até aquele momento, como mais estatizações de bancos, novos cortes de juros e a implementação rápida do plano de US$ 700 bilhões para tirar do mercado os ativos tóxicos.

A histeria foi tanta que o Banco Central (BC) agiu rápido pela manhã no câmbio para controlar a apreciação do dólar. A autoridade monetária vendeu moeda R$ 2,2750 às 10h43; às 13h, cumpriu o leilão de swap e colocou contratos no montante de R$ 589 milhões. Ainda assim, a moeda acentuou a alta para mais de 5% e. às 15h41, o BC fez a segunda intervenção no mercado à vista, com taxa de corte de R$ 2,3110.

Quando o pregão já estava praticamente fechado, às 16h11, o BC surpreendeu e voltou a ofertar moeda, dessa vez a preço de R$ 2,318. Como as operações já estavam fechadas, o ajuste final teve pouca alteração, levando o dólar a fechar com alta de 5,27%.

Luiz Fernando Moreira, da Dascam Corretora, acredita que a decisão do BC de realizar o terceiro leilão à vista no fim dos negócios pode ter sido movida pela piora do mercado depois do almoço e às expectativas ruins para o fim de semana. " Ele pode ter decidido colocar mais liquidez para evitar uma alta brutal na abertura de segunda-feira " , diz. Outros agentes avaliam que a oferta pode ter sido justificada por alguma demanda específica de alguns dealers, em alguma grande operação de última hora.

Na BM & F, os DIs mais curtos reagiram em baixa devido às apostas de que o BC pode suspender a alta de juros por conta das dificuldades com crédito geradas pela crise financeira global. Sem crédito, a atividade tende a arrefecer, o que compensaria o risco inflacionário de um dólar mais valorizado. Já para os contratos longos, a força motora para a elevação das taxas está ligada ao aumento da aversão a risco e à necessidade de desalavancagem dos investidores.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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