Tamanho do texto

SÃO PAULO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) segue perdendo valor de forma acentuada, com a incerteza externa quanto ao plano de ajuda nos Estados Unidos e a solvência do sistema financeiro europeu levando os investidores a vender todo tipo de ativo e buscar proteção no dólar, no ouro e nos títulos da dívida norte-americana. Por volta das 13 horas, o Ibovespa caía 6,94%, somando 47.

256 pontos. O giro financeiro estava em R$ 2,54 bilhões.

Em Wall Street, as vendas também são bastante acentuadas - o Dow Jones perdia 2,33% e o Nasdaq caía 4,33%. O mercado espera a votação do plano de US$ 700 bilhões para sanear os bancos.

O projeto do Tesouro dos EUA pode evitar uma quebradeira sistêmica, mas os agentes questionam o funcionamento do mercado de crédito com instituições sem capital e sem capacidade de alavancagem.

Enquanto a pacote não sai, mais um grande banco dos Estados Unidos foi desfeito. O Citigroup negocia a compra dos ativos bancários do Wachovia em uma transação que envolve emissão de ações e assunção de dívida.

O câmbio também reflete a instabilidade externa com o dólar subindo de forma acentuada ante o real. Há pouco a divisa era transacionada a R$ 1,912 na venda, ganho de 3,29%.

Segundo o analista da Win, home broker da corretora Alpes, Fausto Gouveia, os investidores estão céticos quanto à eficácia do pacote em função das alterações feitas pelos congressistas norte-americanos.

De acordo com o analista, algumas mudanças acabaram resultando em menor autonomia do Tesouro para a compra dos ativos ilíquidos que estão nas mãos dos bancos.

Ainda na visão de Gouveia, outra fonte de preocupação está na Europa, onde os governos tiveram que injetar recursos no banco Fortis e mais uma financeira hipotecária caiu no Reino Unido.

Além disso, o especialista aponta que o recuo no preço das commodities pressiona os ativos de maior peso na composição do Ibovespa. Um bom exemplo disso é a ação PN da Petrobras, que perdia 7,31%, a R$ 32,84.

As ações da Vale e das siderúrgicas também declinam de forma acentuada - além da baixa no preço dos metais, as empresas sofrem com notícias de que a mineradoras chinesas não aceitam reajuste no preço do minério de ferro.

Há pouco, o papel PNA da Vale perdia 8%, para R$ 31,73, CSN ON diminuía 9,93%, negociado a R$ 39,63. Analistas do JPMorgan comentaram que a companhia pode ter perdas financeiras em função de swap de ADR (recibo de ação negociado em Nova York).

Acompanhando os pares internacionais, os bancos brasileiros também perdem valor. Bradesco PN cedia 4,90%, a R$ 28,72. Itaú PN recuava 4,85%, para R$ 29,39, e as units do Unibanco apontavam baixa de 6,79%, cotadas R$ 18,24.

Apenas um dos 66 papéis que compõem o índice apresentava valorização. Klabin PNA subia 2,62%, a R$ 3,91. Liderando as quedas, o papel ON da Rossi Residencial desabava 18,93%, a R$ 5,35. BM & FBovespa ON, América Latina Logística unit, Sabesp ON e JBS ON declinavam mais de 10% cada.

Fora do índice, o ativo ON da OGX Petróleo desvalorizava 13,42%, para R$ 341,99. Outra empresa da holding EBX, a MMX Mineração recuava 14,88%, a R$ 10,64.

(Eduardo Campos | Valor Online)