SÃO PAULO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou a sexta-feira apontando para baixo, mas garantiu alta de 2,96%, na semana. Esse foi o melhor desempenho semanal desde a segunda semana de maio.

Depois de uma tentativa de alta no começo da manhã, o Ibovespa firmou posição em território negativo chegando a cair mais de 1,3%. Mas compras no final da sessão limitaram as perdas do dia. Com isso, o índice encerrou aos 55.850 pontos, baixa de 0,15%. A ausência de investidores ficou evidente pelo giro financeiro de apenas R$ 3,37 bilhões, o menor desde o dia 4 de julho, quando o feriado nos Estados Unidos derrubou o volume para R$ 2,81 bilhões.

O ganho semanal foi expressivo, mas o índice ainda acumula baixa de 6,14% no mês. No ano, a bolsa perde 12,5%.

Segundo o diretor da Indusval Corretora, José Costa Gonçalves, foram as commodities que puxaram a valorização do Ibovespa nos últimos três dias, e como o preço das matérias-primas recuou hoje é natural que os papéis também venham para baixo.

Um ponto destacado pelo especialista é a percepção de que o humor dos investidores melhorou durante essa semana e alguma entrada de capital estrangeiro foi detectada em ações da primeira linha.

Costa lembra que o papel PN da Petrobras fechou a semana com alta acumulada de 8%, e a ação PNA da Vale acumulou ganho de 6,7%. O fato de essas ações terem subido muda o ânimo.

O diretor também chama atenção para o dia positivo em Wall Street, onde a baixa no preço do petróleo e a menor preocupação com o setor financeiro levaram os investidores para a ponta compradora. O Dow Jones fechou o dia com valorização de 1,73%, enquanto o Nasdaq subiu 1,44%.

Apesar do tom positivo da semana, Costa afirma que ainda é cedo para falar em tendência. A instabilidade segue garantida pela indefinição quanto ao rumo do preço das commodities e pelos problemas que cercam o setor financeiro norte-americano.

Dentro do Ibovespa, as ações PNA da Vale caíram 1,80%, para R$ 38,10, e o ativo PN da Petrobras perdeu 0,28%, para R$ 35,29.

Entre as siderúrgicas, Gerdau PN desvalorizou 0,93%, para R$ 29,71, e Usiminas PNA perdeu 1,49%, para R$ 56,00. Destoando de seus pares, CSN ON valorizou 0,89%, para R$ 55,49.

Alinhado ao cenário externo, o setor bancário ganhou valor. Os papéis PN do Bradesco valorizaram 0,59%, para R$ 30,37, e os PN do Itaú ganharam 0,89%, para R$ 31,55.

Destaque de alta para a ação PN da Duratex, que avançou 7,48%, para R$ 25,69. O UBS fez comentários positivos sobre a empresa e disse, em relatório, que os papéis estavam baratos.

Ganho expressivo também para o ativo ON da TIM, que teve alta de 5,04%, para R$ 5,83. A ação PN da também operadora de celular Vivo subiu 3,58%, para R$ 8,08. Voltaram a surgir rumores de que a Vivo estaria interessada em comprar a TIM.

Na ponta vendedora, as ações ON das construtoras Gafisa e Cyrela recuaram 4,59% e 3,44%, para R$ 23,04 e R$ 20,99, respectivamente.

Fora do índice, o destaque ficou com o papel ON da MMX Mineração, que subiu 12,09%, para R$ 16,31. Desde a quarta-feira, a ação ganha valor, depois que relatórios externos apontaram que a companhia pode ser alvo de compra de outras mineradoras.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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