Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Mercados: Bovespa cai mais 6,9% e acumula perda de 50% em 2008

SÃO PAULO - Em mais um dia de forte pessimismo global, a bolsa paulista fechou a semana no vermelho e já perdeu, desde o início do ano, mais da metade de seu valor. Remediada a crise financeira lá fora, resta aos analistas e investidores fazer as contas da recessão, o que parece impossível até agora.

Valor Online |

Os mercados reagem mal e drasticamente aos sinais que confirmam a desaceleração nas economias desenvolvidas e contaminam a já combalida performance da bolsa paulista.

Depois de cair mais de 8% ao longo do dia, o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) fechou com desvalorização de 6,91%, aos 31.481 pontos. O giro financeiro foi de R$ 4,472 bilhões. Na semana, o índice acumulou perda de 13,51%. No mês de outubro, a baixa da bolsa chegou a 36,45%. No acumulado do ano, a desvalorização já é de 50,72%.

As baixas nos mercados asiáticos e das bolsas européias, bem como dos índices em Nova York, já prenunciavam mais um dia de tensão para o mercado brasileiro. Flávio Serrano, economista-sênior do BES, cita a queda de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido no último trimestre como uma das notícias negativas de peso para a jornada. O mercado já esperava que o país registrasse a primeira baixa do PIB em 16 anos, mas contava com uma variação negativa mais modesta, de 0,2% no período.

As montadoras européias também contribuíram com mais sinais de efeito negativo para a atividade produtiva na região. A francesa Renault reduziu ontem suas metas para 2008 e verificou receitas 2,2% menores no terceiro trimestre em conseqüência de a crise financeira ter causado uma diminuição na demanda por carros na Europa. Redução de produção e diminuição das previsões de lucro também foram anunciadas pelo Peugeot Citroen.

Na Ásia, os principais índices caíram mais de 8%, sendo que a baixa do Nikkei 225 chegou a 9,60%. Na Europa, as perdas ficaram entre 3,5% e 5% e, em Wall Street, o movimento de baixa chegou ao final do pregão apontando perdas entre 2,5% e 3,5%.

Pedro Galdi, analista de investimentos da corretora SLW, diz que a referência para a bolsa paulista continua sendo majoritariamente externa. "O mal-estar ocorre em todas as bolsas e aqui também. A incerteza no curto prazo ainda é muito grande", diz.

Vale notar também que o último pregão da semana costuma ser negativo em tempos de crise. Os investidores temem encerrar o período comprados, tendo em vista a possibilidade de notícias ruins durante o fim de semana. Temores de perdas adicionais de empresas compromissadas em derivativos cambiais representam outra variável de peso para a operação local.

Para completar, a expectativa de recessão nas maiores economias do mundo é tão grande, que o petróleo continuou em queda, mesmo com o corte de produção anunciado pela Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep). Para a bolsa brasileira, onde as ações da Petrobras têm peso de cerca de 18% do índice, é uma variável adicional de perdas. As ações PN da Petrobras fecharam em queda de 10,13% (R$ 20,40) e as ON cederam 10,18% (R$ 24,25).

No caso da Vale, mesmo com resultado robusto no último trimestre, o presidente da companhia afirmou hoje em coletiva de imprensa que a crise já tem resultado em redução de produção em algumas plantas no exterior, com alto custo de produção, inclusive na China. Os papéis PNA da companhia cederam 5,36% (R$ 22,05) e os ON fecharam a R$ 24,39, com baixa de 4,91%.

Depois de o Unibanco dobrar seu programa de recompra e afirmar categoricamente que não possui qualquer posição cambial de risco, nesta tarde, as ações da companhia reduziram pela metade o nível de baixa que vinham registrando. As units da instituição, que tombaram para o preço mínimo de R$ 7,70, fecharam com queda de 8,69%, a R$ 10,50
As ações de bancos não reagem bem desde que o governo anunciou medida preventiva que permite aquisições de bancos privados por estatais, caso seja necessário. O mercado tem medo de que a medida só tenha sido tomada devido à existência de problemas em instituições financeiras, mas nada novo surgiu nesse sentido.

Também continuaram em baixa outros papéis de bancos de peso significativo para o Ibovespa. Bradesco PN cedeu 7,36% (R$ 20,01) Banco Itaú PN caiu 10,66% (R$ 17,50) e Banco do Brasil ON declinou 2,59% (R$ 12,75). As ações da BM & FBovespa reforçaram a tendência dos últimos dias e caíram 7,40% (R$ 4,50).

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG