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SÃO PAULO - O forte estresse que dominou as bolsas no mundo todo, inclusive no Brasil, resultou em nova valorização do dólar no câmbio doméstico. A aversão a risco movimentou as vendas em bolsa e agentes não descartam saída de estrangeiros.

O Banco Central usou todos os instrumentos possíveis para atender demanda por moeda, mas apenas controlou a tendência de valorização.

Assim, o dólar comercial fechou com alta de 3,48%, comprado a R$ 2,164 e vendido a R$ 2,166. Em alta desde a abertura, a moeda alcançou a máxima de R$ 2,20 ao longo da manhã. O giro interbancário foi de US$ 2,686 bilhões. Na roda de dólar pronto da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F) a moeda subiu 3,39%, cotada a R$ 2,163, com giro financeiro de R$ 174,5 milhões.

Segundo agentes de mercado, a moeda poderia ter subido muito mais se não fossem as intervenções do Banco Central. A primeira delas ocorreu logo cedo, com a venda livre no mercado e à vista, a uma taxa de R$ 2,1450.

Ainda pela manhã a autoridade monetária cumpriu um leilão de linha, com compromisso de recompra em 15 de janeiro, e vendeu US$ 600 milhões do total de US$ 1 bilhão. Em seguida anunciou que tentaria vender os US$ 400 milhões restantes na parte da tarde, o que acabou ocorrendo. Antes disso, às 13h, o BC também cumpriu o leilão de contratos de swap cambial, com colocação US$ 1,282 bilhão em títulos.

Para o economista Newton Rosa, da Sul América Investimentos, a atuação da autoridade monetária é oportuna e ponderada. "Ele não está a reboque do mercado e a moeda certamente estaria mais cara sem as intervenções", diz.

Vanderlei Arruda, gerente de câmbio da corretora Souza Barros, afirma que muitas empresas ainda estão com dificuldades para financiar exportações e também estão sem recursos de giro para comprar moeda no mercado. Isso explicaria porque apesar da falta de dólares o BC não consegue vender tudo que oferta em mercado. "Falta liquidez em reais também na praça", diz.

Segundo Arruda, as decisões do BC, de liberar o compulsório para que os bancos possam usar o dinheiro extra para emprestar ao setor produtivo, ainda não surte efeito. A liquidez continua represada pela crise de confiança que vigora lá fora e aqui.

As incertezas de hoje superaram as expectativas mais pessimistas. Depois dos super pacotes para o sistema financeiro anunciados na segunda-feira na Europa e nos Estados Unidos, esperava-se mais ajustes, mas não em tamanhas proporções. A tensão dos agentes foi gerada em dados da economia real, como vendas menores no varejo americano em setembro.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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