SÃO PAULO - Depois de um começo de pregão instável, os contratos de juros futuros encerraram a quinta-feira apontando para cima. Os agentes assimilaram hoje a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), na qual o Banco Central reafirmou que o ajuste mais acentuado na taxa de juros visa levar a inflação de 2009 de volta para o centro da meta, fixado em 4,5%.

Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado hoje, acabou com alta de 0,04 ponto, a 14,88% ao ano. O vencimento janeiro 2011 ficou estável a 14,55%. E janeiro 2012 avançou 0,01 ponto, para 14,15%.

Entre os curtos, agosto de 2008 encerrou o dia com ganho de 0,03 ponto, a 12,83%. Setembro de 2008 marcava 12,85%, sem alteração. Outubro de 2008 subiu 0,01 ponto, para 13,08%. E o vencimento janeiro de 2009 também avançou 0,01 ponto, para 13,71%.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 408.585 contratos, equivalentes a R$ 33,44 bilhões (US$ 21,38 bilhões), montante 48% menor do que o observado ontem. O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 196.285 contratos, equivalente a R$ 16,11 bilhões (US$ 10,30 bilhões).

Para o economista-chefe da Corretora Liquidez, Marcelo Voss, o Banco Central passou a seguinte a mensagem com a ata: Vou buscar a convergência da inflação para a meta pelo tempo que for necessário e me reservo o direito de mudar, seja acelerando ou desacelerando o ritmo de ajuste da política monetária.

Na avaliação do especialista, a ata foi positiva no sentido que o BC não se colocou em armadilhas como no início do ciclo de alta em abril, quando acenou com um aperto monetário de curta duração. O BC deixou claro que não deixará as expectativas subirem.

Para Voss, uma nova elevação de 0,75 ponto percentual em setembro está praticamente dada, já que uma melhora substancial nas expectativas de preço até lá é pouco provável. Pelo último relatório Focus, a previsão para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está em 5% no encerramento de 2009.

O economista ressalta que o ritmo de aperto monetário será influenciado mais pelo comportamento das expectativas do que pelos indicadores correntes de preço e atividade. A pior coisa no processo inflacionário é ter expectativa de preços maiores. Quanto mais ascendente a expectativa, maior a propensão ao repasse de preços. O BC tem que quebrar isso para iniciar uma convergência da inflação para meta em 2009.

Ainda de acordo com Voss, a parte que não está na ata é que o Banco Central continua sozinho na luta contra a inflação, ou seja, o governo não corta gastos e não há sinais de medidas que busquem conter o crédito.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro Nacional realizou hoje leilão de venda de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F). Pelo resultado prévio, foram vendidas 1,4 milhão e um total de 1,5 milhão de LTN colocadas à venda, movimentando R$ 1,107 bilhão. A oferta de notas também teve grande aceitação, com 2,027 milhões de notas tomada de 2,3 milhões ofertadas. Tal operação movimentou R$ 1,817 bilhão.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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