SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros seguem ajustando para baixo na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), dando seqüência ao movimento iniciado na sexta-feira, depois que o plano de resgate ao sistema financeiro anunciado pelos Estados Unidos reduziu a aversão ao risco e pôs freio ao desmanche de posições. O acentuado recuo no preço do dólar também é refletido pelas curvas.

A moeda norte-americana perde valor seguindo a melhora de ambiente externo e a atuação do Banco Central (BC), que, na sexta-feira, vendeu dólares no mercado à vista. Depois de superar R$ 1,95 na semana passada, a moeda retorna agora ao patamar de R$ 1,800.

Há pouco, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010 recuava 0,06 ponto percentual, a 14,77%. Janeiro 2011 declinava 0,12 ponto, a 14,61%. E janeiro 2012 apontava 14,45%, desvalorização de 0,06 ponto.

Na ponta curta, outubro, novembro e dezembro de 2008 não registravam negócios. O DI para janeiro de 2009 era negociado a 14,04%, elevação de 0,02 ponto.

O diretor de gestão da Meta Asset Management, Alexandre Horstmann, comentou que a curva já devolveu a maior parte do exagero de prêmio acumulado durante a instabilidade da semana passada e o dólar apontando para baixo contribui para a continuidade desse movimento.

Na avaliação do especialista, com o dólar voltando a cair ante o real, o saldo da relação commodities em baixa e desvalorização da moeda brasileira começa a ficar positivo para a inflação.

Vale lembrar que o recuo nos preços das commodities vinha apresentando um efeito ambíguo, pois pressionava o dólar para cima, tirando parte do efeito positivo que as matérias-primas mais baratas têm sobre os preços.

Para Horstmann, se a taxa de câmbio mantiver esse comportamento, os 3 votos pela alta de 0,5 ponto percentual na Selic na reunião de 10 de setembro vão se tornar a decisão majoritária no encontro de 29 de outubro.

No dia 10 deste mês, o Comitê de Política Monetária (Copom) optou por elevar a Selic em 0,75 ponto percentual, a 13,75% ao ano. A decisão não foi unânime, com cinco votos pelo avanço de 0,75 ponto e três pelo ajuste de 0,5 ponto.

Os investidores também digerem o boletim Focus do Banco Central, que apontou nova diminuição nas projeções de inflação para o ano que vem. A mediana das expectativas aponta Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 4,97% no encerramento de 2009, recuando de 4,99% na semana anterior.

Para 2008, o IPCA está estimado em 6,23% contra os 6,26% passados. Chama atenção a acentuada revisão no preço do dólar para o fim do ano, que passou de R$ 1,65, para R$ 1,70.

"(Eduardo Campos | Valor Online)"

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