SÃO PAULO - Pelo segundo dia consecutivo, a elevação na taxa básica de juros brasileira - que saiu de 12,25% para 13% ao ano nesta semana -, é a principal influência na formação da taxa de câmbio, segundo o gerente da mesa de câmbio da Corretora Souza Barros, Vanderlei Arruda.

Segundo o especialista, além da alta já consumada, a expectativa de novos ajustes também favorece a entrada de recursos para as operações de arbitragem de taxa.

Depois de cair a R$ 1,571 na mínima, o dólar fechou o dia valendo R$ 1,571 na compra e R$ 1,573 na venda, queda de 0,41%. O valor é o menor desde o R$ 1,558 registrado em 19 de janeiro de 1999. Na semana, a queda é de 1%. No mês, a baixa acumulada fica em 1,5% e no ano já bate 11,48%.

Na roda de pronto da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BMF) a moeda apresentou também desvalorização de 0,41%, para R$ 1,573. O volume financeiro somou US$ 544,5 milhões.

De acordo com o gerente, a taxa ameaçou romper o patamar de R$ 1,57, mas a queda acentuada na bolsa durante o período da manhã, com conseqüente remessa de recursos, criou espaço para a moeda estrangeira diminuir o ritmo de perda.

Na avaliação de Arruda, nem toda a realização de lucro que se observa na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) se traduz em remessas. Uma fatia considerável de recursos também migra para o investimento em taxa de juros. Tem muita gente que migrou de um ativo para o outro.

Para o especialista, mantido o atual ambiente, é questão de tempo para que o dólar rompa o patamar de 1,57 e chegue ao R$ 1,55. Alguns analistas acreditam que tal taxa poderá ser verificada dentro do horizonte de um mês. No entanto, repiques de alta não podem ser descartados dado o ambiente externo bastante instável.

No curtíssimo prazo, Arruda acredita que a formação das apostas para a reunião do Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, que acontece dia 5 de agosto, garantem mais uma semana de volatilidade para a moeda.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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