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Mercados: Ainda sob incertezas, Bovespa caiu 3,57% e dólar cedeu 3,15%

SÃO PAULO - A volatilidade voltou a dominar as transações no mercado financeiro brasileiro em pregão ainda marcado por incertezas externas sobre reflexos da crise na economia real e, ao mesmo tempo, por temores locais, de dificuldades de empresas. Esse quadro continuou justificando perdas na bolsa paulista e teria amparado nova valorização do dólar não fosse a atuação significativa do BC e o anúncio de até US$ 50 bilhões para ofertar em swaps cambiais, caso seja preciso.

Valor Online |

O principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) fechou com desvalorização de 3,57%, aos 33.818 pontos. O giro financeiro foi de R$ 4,414 bilhões. Entre a mínima e a máxima, o índice oscilou de 32.706 pontos a 35.776 pontos, respectivamente. O desempenho foi descolado de Nova York, onde o Dow Jones subiu 2,02% e o Standard & Poor´s 500 avançou 1,26%.

Já o dólar comercial apontou queda de 3,15%, cotado a R$ 2,303 para a compra e R$ 2,305 para a venda. A moeda chegou a subir mais de 6% na abertura, oscilando entre a máxima de R$ 2,524 e mínima de R$ 2,238. O giro financeiro foi de US$ 7,592 bilhões, muito acima dos R$ 3 bilhões de um dia antes e da média de R$ 2 bilhões dos últimos dias. A análise dos agentes é de que o BC conseguiu vender boa parte do montante ofertado nos três leilões de moeda à vista no mercado pronto.

Para Marcelo Chakmati, sócio da MH Investimentos, o humor da bolsa ainda está muito afetado pelas expectativas de perdas de empresas locais. A aversão a risco é generalizada, entre investidores estrangeiros e locais. Segundo ele, o anúncio da MP 443, que autoriza compra de bancos privados por públicos, caso seja necessário, foi mal interpretado pelo mercado.

Como iniciativas do tipo foram anunciadas pelos países com risco sistêmico e casos de insolvência bancária, os investidores entenderam que a medida poderia ser um adiantamento a uma situação crítica que estaria a caminho. "Se o doente não se encontra em estado tão grave, por que adotar a mesma medicação usada em casos terminais?", exemplifica o economista de uma corretora paulistana, que preferiu não ser identificado.

Se tal decisão não teve o efeito desejado de acalmar os ânimos, a mais recente, que isenta de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) aplicações financeiras de estrangeiros teve efeito nulo para as operações. A avaliação é de que a medida não cabe neste momento, pois os investidores estão muito receosos no mundo inteiro.

No segmento cambial, após dois dias de tentativas infrutíferas, com o dólar subindo insistentemente, ontem o Banco Central (BC) mostrou disposição em atender à demanda por dólar tanto no mercado à vista como no futuro e conseguiu fazer a taxa de câmbio inverter o rumo e fechar em queda. Para isso, a autoridade monetária fez três leilões de moeda à vista, duas ofertas de swap no total de US$ 2,220 bilhões e, mais importante, anunciou que tem disponíveis US$ 50 bilhões para irrigar o mercado com swap cambial, caso seja preciso.

A atitude de anunciar a quantia disponível para colocação via swap tem, segundo Alexandre Schwartsman, economista-chefe do banco Santander, "potencial para acalmar" o mercado cambial, onde a demanda por dólares ficou ainda maior nos últimos dias.

Na avaliação do ex-diretor do Banco Central (BC), o principal foco de pressão sobre a moeda deriva da percepção de exposição do setor privado em derivativos de câmbio, o que gera a contínua demanda por dólar futuro para se proteger. Como até o momento não se sabia qual era a disposição do BC em termos de volume, a tensão dos agentes só ficava maior.

Além do fator doméstico de demanda, a insegurança nos mercados externos também têm forte influência para movimentos de zeragem em ativos domésticos e saída de capital, movimento que também pressiona a divisa.

A influência do comportamento do dólar no mercado local sobre os contratos de Depósitos Interfinanceiro (DIs) negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F) ficou claríssima na jornada. Enquanto a divisa sustentou valorização, todas as taxas avançaram com força, tendo alcançado, no caso dos longos, o teto estabelecido pela BM & F ainda pela manhã.

A moeda e as taxas se estabilizaram em queda depois que o Banco Central (BC) anunciou o programa de swap. Para o mercado de juros, a baixa do dólar diminuiu um ponto central de incerteza, que é a pressão inflacionária, sobretudo no curto prazo.

Com o mercado de dólar mais calmo, no entanto, os DIs também conseguiram implementar um ajuste de baixa das taxas, que estavam completamente distorcidas, na avaliação dos analistas.

O Depósito Interfinanceiro (DI) de janeiro de 2010 caiu 0,37 ponto percentual, para 15,85%. Janeiro 2011 declinou 0,54 ponto, a 16,30%. Já o vencimento de janeiro de 2012 apontava taxa de 16,80% ao ano, com queda de 0,63 ponto percentual. Esses três contratos atingiram o limite de alta estabelecido pela bolsa de futuros pela manhã.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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