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Mercado:Bovespa cai 3,5% com cena externa e notícia da Sadia e Aracruz

SÃO PAULO - A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) devolve o ganho registrado no pregão de ontem. Não bastasse a incerteza externa, perdas com derivativos amargadas pela Sadia e pela Aracruz pesam sobre o humor dos investidores.

Valor Online |

Por volta das 13h20, o Ibovespa diminuía 3,50%, aos 50.014 pontos. O giro financeiro em R$ 2,44 bilhões.

Em Wall Street, o retrocesso nas negociações quanto ao pacote de salvamento para o setor financeiro deixa o pregão bastante instável. Os índices quase zeraram as perdas depois que o presidente George W. Bush fez um pronunciamento garantindo a aprovação do pacote e começaram a surgir notícias sobre um novo acordo entre democratas e republicanos. A tentativa de recuperação, porém, não teve sucesso. Há pouco, o Dow Jones declinava 0,70% e o Nasdaq caía 1,77%.

No câmbio, o dólar segue avançando ante o real, movimento alinhado à instabilidade externa. Depois de uma semana, o Banco Central (BC) voltou a intervir no mercado vendendo US$ 500 milhões à vista com compromisso de recompra em 30 dias. A medida não altera o preço da moeda e, segundo analistas, esse leilão é como uma linha de crédito, dando 30 dias para os tomadores agilizarem seus negócios em moeda estrangeira. Há pouco, o dólar avançava 1,75%, a R$ 1,854 na venda.

O diretor-gestor da Codepe Corretora, Fernando Aguiar, aponta que está se desenhando uma crise clássica, na qual se procura a monetização de todos os ativos. Isso só é possível de duas formas bastante dolorosas - o ajuste de preço dos ativos ao tamanho do dinheiro em circulação ou a hiperinflação. " E isso só pára com a interferência da autoridade monetária, que tem que ser forte " , resume.

Aguiar observa que as atenções estão dirigidas a Washington, onde seguem as discussões de um plano que pode ajudar a restabelecer a confiança dos investidores no mercado financeiro. O especialista lembra que, quanto mais tempo leva para o sistema voltar a funcionar, menor é o número de negócios e maior é o impacto sobe o lado real da economia.

Aguiar lembra que mais uma grande instituição americana caiu enquanto democratas e republicanos divergiam sobre o pacote. Os órgãos reguladores tomaram o controle dos ativos do Washington Mutual (WaMu) e venderam o que sobrou por US$ 1,9 bilhão ao JPMorgan. " Isso também soma incerteza no mercado. "
De volta ao pregão, destaque negativo do dia está com as ações da Sadia, que desabavam 32,36%, a R$ 6,29, com o terceiro maior volume de negócios do dia. A empresa reconheceu uma perda financeira de R$ 760 milhões com contratos futuros e opções de dólar e títulos podres de algumas instituições incluindo o americano Lehman Brothers, que faliu duas semanas atrás.

Aguiar notou que a empresa "erra a mão" e mais uma vez a conta fica com o acionista. " Falhou mais uma vez a governança que tanto se fala. O conceito é bom, mas o gerenciamento assim como a aplicação dos instrumentos é falho. "
Acompanhando a Sadia, a fabricante de papel e celulose Aracruz anunciou perdas com operações financeiras no mercado de câmbio, mas ainda não apresentou o tamanho do rombo. O papel PNB caía 19,02%, para R$ 6,81. Ainda no setor, VCP PN perdia 13,26%, para R$ 30,27. O UBS rebaixou a recomendação para o papel de compra para neutro.

O caso da Sadia e Aracruz está provocando uma série de questionamentos no mercado sobre quem será próxima companhia admitir perdas com instrumentos financeiros.

A incorporadora PDG Realty já veio a mercado e, por meio de comunicado, negou que tenha endividamento vinculado ou indexado e moeda estrangeira. A companhia tomou essa decisão " após recebimento de diversos contatos e questionamentos de investidores e analistas " .

Rumores envolvendo embarques de minérios para a China também atingiram os papéis da Vale, obrigando o presidente da companhia, Roger Agnelli, a se pronunciar sobre o assunto. Angelli negou qualquer limitação nos embarques de minério para o país asiático. Há pouco, o papel PNA da Vale caía 5,05%, a R$ 34,01.

Ainda dentro do Ibovespa, Petrobras PN caía 3,52%, para R$ 34,78. CSN ON recuava 7,15%, cotado a R$ 42,85, e BM & FBovespa ON desvalorizava 2,33%, a R$ 8,78.

À parte da instabilidade, Light ON apresentava valorização de 3,87%, para R$ 24,15, TIM Part ON subia 2,99%, saindo a R$ 6,87, e Eletrobrás PNB ganhava 2,18%, para R$ 23,80.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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