Por Silvio Cascione SÃO PAULO (Reuters) - O dólar caiu mais de 1 por cento ante o real nesta terça-feira, contrariando o comportamento do mercado global, em meio a uma atuação mais firme das tesourarias de bancos na venda de moeda estrangeira e a comentários sobre um aumento da entrada de recursos no país.

A divisa terminou a 1,779 real, em baixa de 1,17 por cento. No mês, a moeda ainda tem queda de 1,55 por cento.

O mercado local andou na contramão do exterior, onde a preocupação com a Grécia manteve o dólar fortalecido e o euro pressionado.

Cinco profissionais de mercado ouvidos pela Reuters, em bancos e corretoras, disseram que a baixa do dólar no Brasil esteve ligada à entrada de recursos, principalmente de manhã.

"As grandes tesourarias estão vendendo no mercado futuro. É sinal de entrada (de dólares)", disse outro operador de uma grande corretora nacional, que preferiu não ser citado.

Entre as operações recentes que atraíam investimento estrangeiro estavam a emissão de 1 bilhão de dólares em bônus do banco português Espírito Santo, conversíveis em ações do Bradesco. Outro operador citou o fim da liquidação de eurobônus vendidos pela Vale na semana passada.

Também há diversas ofertas de ações que se aproximam, como a da Gafisa, cujo preço será anunciado depois do fechamento da bolsa de valores nesta terça-feira. A estimativa inicial era de volume máximo de cerca de 1,2 bilhão de reais.

Alguns operadores citaram ainda a projeção de um aumento maior que o esperado dos preços de minério de ferro pela Vale como sinal de que o fluxo positivo tende a crescer mais no longo prazo .

O mercado já tinha expectativa de uma entrada mais vigorosa de dólares desde o começo do mês, mas se frustrou com a redução na oferta de ações da OSX.

No mês, até dia 18, o país registrava saída de 2,666 bilhões de dólares em termos líquidos.

MOTIVOS TÉCNICOS

No mercado de dólar futuro, o principal vencimento movimentou, até 16h30, 442 mil contratos, maior giro do mês até então --o fechamento desse segmento ocorre às 18h.

No mercado à vista, de acordo com dados parciais da clearing de câmbio da BM&FBovespa, o volume superava 3 bilhões de dólares, acima do giro das sessões da semana passada.

Para Moacir Marcos Júnior, operador de câmbio da InterBolsa do Brasil, independentemente de um fluxo positivo, havia motivos "técnicos" para a queda do dólar, após ter fechado a 1,80 real pela primeira vez em três semanas na segunda-feira.

Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora, tem visão semelhante e aponta o movimento desta terça-feira como uma continuação na estratégia das tesourarias, que desde o começo de março vinham vendendo dólares ao Banco Central em antecipação às entradas previstas .

"Agora é o momento de os bancos atuarem apreciando o real... e cobrirem as posições 'vendidas' com considerável margem de ganho de variação cambial", escreveu em relatório.

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