O plano do Tesouro dos Estados Unidos e do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) para socorrer as agências hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac não foi suficiente para aliviar a tensão entre investidores. Depois do anúncio, no domingo, as bolsas americanas ensaiaram reação na abertura dos mercados, mas não tiveram fôlego para manter a alta.

O índice Nasdaq fechou em queda de 1,17%; o Dow Jones, de 0,41%; e o S&P100, de 0,88%. Com o resultado de ontem, os índices aumentaram as perdas de 2008 para 16,57%, 16,66% e 18,06%, respectivamente. No Brasil, o índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) conseguiu fechar em terreno positivo. Terminou o dia com alta de 0,95%, nos 60.720 pontos. Na Europa, a maioria das bolsas também conseguiu se descolar do mercado americano e fechou com valorização.

Na avaliação do economista da GAP Asset Management, Alexandre Maia, a ajuda anunciada pelo Tesouro americano e pelo Fed deu bons sinais, mas não trouxe tranqüilidade ao mercado. "O governo está atuando para não ter uma crise sistêmica no setor bancário. Mas a crise de crédito nos Estados Unidos ainda está recheada de incerteza."

O economista afirma que os investidores temem que outros bancos possam ter problemas de liquidez e quebrem nas próximas semanas. Por isso, as ações das instituições financeiras foram as mais afetadas ontem, com quedas superiores a 10%, completa Maia. As ações do Lehman Brothers fecharam em forte queda, com volume mais do que o triplo da média das últimas 52 semanas.

Fundos de hedge e outros grandes investidores reagiram a rumores de que o Lehman poderá fechar o capital, de forma a evitar um arranjo como o da venda do Bear Stearns.

As incertezas ganharam força com as dúvidas sobre as condições de apoio às agências e quanto de capital terá de ser levantado. O temor é que, se houver a estatização das agências, as ações virem pó. Mas também se não houver ajuda, os papéis também passariam a não valer nada.

"O que o mercado gostaria é que o dinheiro viesse, mas sem que o controle passasse às mãos do Estado", comentou um analista de mercado. Enquanto as condições não são divulgadas, os investidores acabaram se desfazendo dos papéis.

O setor financeiro americano também foi prejudicado por alertas feitos pelo Goldman Sachs de que os bancos regionais do país poderão ter de cortar dividendos para restabelecer o capital. Além disso, há preocupações de que outro banco possa seguir os passos do IndyMac Bancorp, da Califórnia, que está sob intervenção federal, e entrar em concordata.

O desempenho do mercado financeiro hoje terá um peso a mais com o início da temporada de balanços. Os resultados devem mostrar o ritmo da economia americana e, com isso, influenciar os negócios. O destaque de hoje serão os números de Intel e Johnson & Johnson. Além disso, será divulgado o Índice de Preços ao Produtor e vendas no varejo.

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