O aperto no crédito ao consumidor já provoca encalhe no mercado de veículos usados. Só nas concessionárias, há mais de 1 milhão de seminovos em estoque, um volume recorde, aponta levantamento nacional feito pela MSantos, agência de varejo automotivo.

Isso é o reflexo da queda entre 10% e 30% nas vendas de usados este mês, segundo a pesquisa feita em 21 concessionárias. A freada nas vendas ampliou o estoque que já era elevado porque a maioria dos clientes optava, antes da crise, por trocar o usado pelo zero.

Para desovar o seminovo, grandes concessionárias dão descontos generosos. O abatimento pode chegar a 20 com direito a um prazo maior de garantia, entre outras vantagens.

"O estoque de usados nas revendas hoje está 50% acima do normal", afirma Ayrton Fontes, economista responsável pelo levantamento. Ele observa que o volume do encalhe pode ser ainda maior se forem incluídas lojas independentes. Segundo Fontes, o momento é favorável para o consumidor que pode obter preços de ocasião.

Para Aba Moshe Lewkowicz, presidente do Grupo Aba, que reúne concessionárias da GM, os estoques de usados "já extrapolaram". No seu caso, o volume está 30% maior. Nas últimas semanas, os negócios com usados caíram 30% por causa do agravamento da crise de crédito. "As novas exigências dos bancos travaram as vendas."

A paralisação dos negócios também foi sentida pela Grupo Dahruj. "Quinze dias para cá o mercado de usados parou de vez", conta o gerente da empresa, Miguel Francisco Salvador. Com estoque de usados 35% maior, a empresa decidiu abrir mão da margem de lucro.

"A situação está começando a ficar feia", afirma o proprietário do Grupo Palazzo, Carlos Antonio Palazzini. Segundo ele, os bancos estão dificultando a liberação dos empréstimos: exigem entrada, pois querem se proteger do maior risco de inadimplência. Com volume do usado 40% maior, ele diz que a ordem na sua empresa é "queimar" produto. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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