SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros curtos terminaram o dia sem grandes alterações na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). Ao que parece, o Relatório Trimestral de inflação não foi capaz de criar um consenso quanto ao tamanho do aperto monetário esperado para abril.

SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros curtos terminaram o dia sem grandes alterações na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). Ao que parece, o Relatório Trimestral de inflação não foi capaz de criar um consenso quanto ao tamanho do aperto monetário esperado para abril. O pregão termina sem uma determinação sobre o comando do Banco Central. Henrique Meirelles ainda não comunicou sua decisão sobre permanência ou saída da presidência do BC. Antes do ajuste final de posições na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para abril de 2010, marcava queda de 0,02 ponto, para 8,60%. Julho de 2010 apontava estabilidade a 9,19%. E janeiro de 2011, o mais líquido do dia, também fechou sem alteração, a 10,39%, depois de cair a 10,34%. Entre os vencimentos longos foi registrado um aumento de prêmio no final do pregão. O DI para janeiro de 2012 ganhou 0,04 ponto, a 11,67%. Janeiro de 2013 avançou 0,05 ponto, para 12,04%, e janeiro 2014 acumulou 0,06 ponto, projetando 12,14%. Até as 16h15, foram negociados 862.360 contratos, equivalentes a R$ 76,52 bilhões (US$ 42,62 bilhões), 35% acima do registrado ontem. O vencimento janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 460 mil contratos, equivalentes a R$ 42,68 bilhões (US$ 23,77 bilhões). Segundo o sócio-gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi, o relatório de inflação teve um tom um pouco mais ameno do que se imaginava, mas o mercado deve seguir dividido entre as apostas de alta de 0,5 ponto e 0,75 ponto na Selic até a data da reunião do Copom, no fim de abril. Pela curva futura, diz o gestor, a precificação maior ainda está na linha de 0,75 ponto. Para o especialista, o que determinará o tamanho do ajuste é até que ponto o BC quer jogar para baixo a inflação de 2010. Pelo cenário de mercado, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está previsto em 5,2%. Já para 2011, o índice recuaria para 4,4%. O que indica que o BC não precisaria ser muito agressivo no aperto da taxa de juros. Segundo Petrassi, a inflação deve mesmo ficar fora do centro da meta agora em 2010, mas isso é justificável. O que não pode acontecer é uma contaminação das projeções de inflação para 2011. O gestor também chamou atenção ao discurso do futuro diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Carlos Hamilton Araújo, que reiterou que autoridade monetária " sempre trabalha para que a inflação fique na meta, e vai continuar fazendo o necessário " para isso. Hamilton, que ocupa a diretoria de Assuntos Internacionais, fez hoje sua primeira apresentação do relatório, diante do anúncio hoje cedo de que Mario Mesquita deixaria a diretoria de Política Econômica a partir de hoje. Hamilton era braço direito de Mesquita. Para o Barcalys Capital, o relatório valida a sua visão de alta de 0,5 ponto em abril e de um ciclo total de aperto em 2,5 pontos, levando a Selic a 11,25%. O risco para um começo de ciclo com 0,75 ponto vem do comportamento das expectativas de inflação. Mas, na visão do banco, os preços correntes devem seguir recuando até a próxima reunião do Copom, o que torna improvável uma piora maior nas expectativas. "No entanto, o mercado deve continuar dividido, precificando, ainda, uma maior probabilidade de o BC ter de começar o ciclo de forma mais agressiva." Amanhã, atenção voltada aos dados de produção industrial de fevereiro. As expectativas estão bem dispersas, entre alta de 0,3% a 2%, sobre janeiro. Na gestão da dívida pública, o Tesouro vendeu 3,114 milhões das 5 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN), levantando R$ 2,77 bilhões. Também foi colocado todo o lote de 1 milhão de Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F), a R$ 919 milhões. (Eduardo Campos | Valor)
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