Alta recorde de 18% na produção industrial no primeiro trimestre elevou expectativas sobre o desempenho da economia em 2010

Os números positivos divulgados recentemente de importantes indicadores da atividade econômica, como a produção industrial, que avançou 18,1% no primeiro trimestre sobre igual período em 2009, devem contribuir para um crescimento mais forte no Produto Interno Bruto (PIB). Diante do cenário mais otimista, departamentos de análise de bancos e consultorias econômicas já estão refazendo as projeções para o desempenho do PIB tanto no primeiro trimestre quanto para 2010.

Segundo o analista de inflação, política monetária e atividade econômica da Tendências Consultoria Integrada, Bernardo Wjuniski, os dados sobre a atividade industrial, divulgados na terça-feira, e desempenho do comércio surpreenderam no primeiro trimestre.“Os indicadores vieram fortes e superaram as expectativas. Por conta disso,revimos as previsões para o crescimento do PIB no primeiro trimestre de 1,5% para 2,7%. Para o ano, a projeção foi revista de 5,2% para 6%.”

O Banco Santander também elevou os números anuais do PIB, de 5,8% para 6,3%, após a alta acima do esperado da produção industrial. “A principal mudança, evidentemente, deve-se ao crescimento do PIB industrial (de 9,3% para 9,9%), mas uma produção mais alta puxa os outros setores para cima e, portanto, também revisamos o crescimento do PIB de serviços (de 4,2% para 4,6%)”, afirmou o banco, em relatório.

A consultoria MCM também refez as avaliações para o desempenho da economia brasileira no primeiro trimestre. De acordo com o economista Marcos Fantinatti, a projeção anterior de 2% para o desempenho do PIB no período de janeiro a março foi revisada pela consultoria para 2,5%. “O dado da produção industrial veio muito forte e contribuiu para modificar a percepção para o desempenho do PIB”, disse. A MCM também vai rever a projeção para o PIB de 2010. “Vamos aguardar a divulgação do dado trimestral e reavaliar o cenário de forma mais ampla para o ano, com a análise de outros indicadores”, afirmou Fantinatti.

A corretora Gradual Investimentos, por sua vez, projeta o PIB trimestral em 2,4%, contra 2,2% da estimativa anterior, enquanto, para o acumulado de 2010, os números saltaram de 5,4% para 6%, na revisão após a divulgação da produção industrial de março.

“A alta no PIB deveria ser ainda maior, chegando a estonteantes 6,78% num cenário onde a atividade suba linearmente 1% por trimestre. No entanto, não achamos adequado por ora imaginar que o percurso será feito sem maiores sobressaltos”, ponderou a Gradual.

Segundo Wjuniski, especialista da Tendências, esse movimento de crescimento do PIB também deve gerar reflexos como a pressão nos índices de inflação.“ Houve uma reforço no ciclo de aperto da economia com alta da taxa de juros pelo Banco Central. Essa medida, junto com a redução no estímulo ao crédito e de benefícios fiscais, como o IPI, vão impactar o consumo e a atividade econômica, mas não há como prever a velocidade de uma possível desaceleração no ritmo de crescimento”, diz Wjuniski. A Tendências também reviu as projeções de inflação para 2010 de 4,5% para 4,9% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.