Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Mercado prevê taxa de juro a 10,75% este ano

A previsão dos analistas do mercado, divulgada ontem pelo Boletim Focus do Banco Central (BC), é que, em dezembro, a taxa básica de juros da economia, a Selic, ficará em 10,75% ao ano. Caso a projeção se confirme, será a menor taxa nominal desde a criação da Selic, em maio de 1986, ainda durante o Plano Cruzado.

Agência Estado |

A menor Selic nominal até agora tinha sido registrada em setembro de 2007, quando foi fixada em 11,25% pelo Banco Central. Essa taxa permaneceu inalterada até abril de 2008, quando o BC iniciou uma nova rodada de elevação dos juros, só interrompida por causa da crise financeira internacional.

"Mas a possibilidade de o juro cair ainda mais não é descartada", disse a economista Thaís Zara, da Rosenberg & Associados. "Se tivermos números ruins na atividade econômica e emprego, não é impossível pensar em juro de um dígito ainda em 2009."
Se os próximos indicadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrarem uma retração ainda maior da produção, o BC poderá ser obrigado a reduzir ainda mais os juros para evitar uma recessão. Atualmente, a Selic está em 12,75% ao ano.

Mas não é apenas a Selic que está em queda nas projeções dos analistas de mercado. A inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), também caiu. No último Focus, a estimativa para o IPCA deste ano é de 4,6% - pouco acima do centro da meta. Com essa taxa de inflação, a Selic de 10,75% está projetando um juro real (descontada a inflação) em torno de 6% ao ano.

Em contrapartida, as previsões para o desempenho da economia são cada vez piores. A previsão dos analistas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 2% para 1,80%, na terceira redução consecutiva. Na prática, os economistas do mercado financeiro acreditam que a economia brasileira terá em 2009, um crescimento correspondente a um terço do esperado para 2008. Com isso, aumenta a disparidade entre o cenário de mercado e o previsto pelo BC, que aposta em crescimento de 3,2% em 2009.

As previsões de mercado para o PIB vêm caindo desde o agravamento da crise, em setembro, com a derrocada do Lehman Brothers. Desde então, a expectativa de expansão do PIB caiu exatamente pela metade, de 3,60% para 1,80%. Retração do crédito, queda da demanda e o recente aumento do desemprego são as principais causas desse pé no freio na economia.

"Recentemente, o recrudescimento do mercado de trabalho tem realimentado a crise. Ainda temos de esperar os números da produção industrial, mas devemos rever a previsão do PIB para baixo mais uma vez, possivelmente para perto de 1%", afirma Thaís Zara. Os números da produção industrial de dezembro serão divulgados hoje.

Sobre a disparidade entre os números do mercado e do BC, Thaís diz que a autoridade monetária deve revisar os números do PIB para baixo em março, no próximo Relatório de Inflação. Mas que, apesar disso, o BC deve continuar mais otimista que os analistas. "Eles têm o papel de influenciar as expectativas dos agentes. Por isso, é pouco provável que seja apresentado um número muito baixo", diz. A previsão atual, de 3,2%, foi feita no fim de dezembro.

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG