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Mercado prevê alta menor do juro

O agravamento da crise financeira internacional reforçou a aposta dos economistas de que a alta do juros vai desacelerar, com alta de 0,5 ponto porcentual na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para 28 e 29 de outubro. Se o colegiado se mostrou dividido na reunião passada, quando a taxa de juros subiu 0,75 ponto porcentual e chegou a 13,75% ao ano, agora parece haver pouca razão para dúvida.

Agência Estado |

"A opinião quase unânime no mercado é de que o próximo aumento será de 0,5 ponto", disse Fernando Sampaio, sócio-diretor da consultoria LCA.

Há, porém, um grande ponto de incerteza no ar: o dólar. Os economistas que acreditam em altas mais modestas dos juros argumentam que os preços das commodities, como petróleo, grãos e minérios, estão em baixa. Isso traria alívio à inflação. Mas a alta do dólar faz o movimento inverso, puxando os preços para cima. "O efeito líquido desses dois movimentos sobre a inflação não é claro", disse Marcela Prada, da Tendências Consultoria Integrada.

Ontem, o Banco Central anunciou que leiloará até US$ 500 milhões hoje, para dar ao mercado liquidez em dólar. A operação tenderá a reduzir a cotação. "Isso pode minorar os efeitos da crise sobre a inflação", disse o economista-chefe do banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves. "Estão vendendo dólares como contraponto à crise de liquidez."

Segundo Gonçalves, os integrantes do Copom demonstraram especial preocupação com o dólar já na ata da reunião de setembro, divulgada ontem. A "desvalorização de ativos brasileiros" deixou de figurar entre as considerações gerais e entrou nos parágrafos finais do documento, onde estão as justificativas para a decisão sobre os juros. Isso mostra que a questão ganhou relevância.

A ata mostra que uma ala minoritária dos diretores do BC achava que o aumento deveria ser de 0,5 ponto, justamente por causa da crise. Para ela, a desaceleração da economia mundial e a queda no preço das commodities trariam alívio na pressão sobre os preços.

Prevaleceu, porém, a ala que defendia uma atitude mais cautelosa, alegando que os sinais de alívio na inflação não estariam firmes o suficiente para mudar o curso dos juros. O principal risco ainda seria o consumo, forte demais para ser acompanhado pelo ritmo da produção. Pesava também a expectativa dos agentes econômicos, que vinham elevando suas projeções para a inflação em 2009.

No entanto, desde a decisão do Copom acumularam-se sinais de que a crise mundial poderá ser mais longa e profunda do que o esperado. "Não tem dúvida de que o ambiente internacional será vetor de desaceleração aqui, seja pela via das exportações, seja pelo crédito", disse Sampaio, da LCA.

Ao mesmo tempo, as preocupações da ala que defendeu o aumento de 0,75 ponto foram de certa forma respondidas ao longo desta semana. Marcela observou que a pesquisa de comércio do IBGE apontou queda de 0,2% nas vendas de junho para julho. "Ainda está alto, mas já vemos um enfraquecimento na margem", disse. "É um reflexo do aperto da política monetária iniciado em abril."

Quanto à expectativa de inflação, o mercado reduziu na semana passada as previsões para o IPCA em 2009, de 5% para 4,99%. Foi a primeira queda desde maio.

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