Os mercados domésticos acentuaram o mau humor logo após o anúncio da decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (Fed, banco central americano), que manteve a taxa dos Fed Funds (juro básico nos EUA) em 2% ao ano, em votação unânime, assim como não mexeu na taxa de redesconto, que permaneceu em 2,25%. O índice Bovespa dobrou as perdas logo após o anúncio, às 15h15, enquanto dólar à vista e juro futuro aceleraram a alta.

Em Nova York, as bolsas também esboçaram reação negativa. Desde ontem, cresceu a expectativa de que o Fomc cortaria a taxa básica de juros, com o agravamento da crise no sistema financeiro americano.

Em seu comunicado que traz a decisão sobre juros, o BC americano, embora reconheça que o mercado de trabalho se enfraqueceu e que a situação do crédito e moradia e a queda das exportações estejam pesando sobre a economia, afirma que vê a inflação se moderando mais tarde neste ano. Segundo o comunicado, o Fed diz estar preocupado com o risco de novas altas da inflação e que agirá quando necessário para promover a estabilidade e o crescimento.

Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o Ibovespa passou de baixa de 1,10% antes do anúncio para queda de 2,57% às 15h15. Às 15h27, as perdas chegavam aos 3%. Às 15h58, no entanto, o Ibovespa já operava em alta de 1,01% a 48.904 pontos, com a melhora em Nova York.

As ações da Petrobras, um dos focos de resistência às perdas do mercado hoje, viraram momentaneamente para baixo, engrossando as ordens de vendas. A queda durou pouco e, às 15h56, as ações ON subiam 4,81% e as PN avançavam 4,36%.

Em Wall Street, o Dow Jones mudou de rumo com a manutenção da taxa de juros pelo Fed. O índice, às 15h27, caía 0,91%, enquanto o S&P perdia 1,16% e o Nasdaq, -1,22%. Mas às 15h56 o Dow Jones já havia voltado ao positivo, com alta de 1,09% e o Nasdaq também, com ganho de 0,78%.

O dólar comercial ampliou a valorização frente ao real após a decisão do Fed e era negociado a R$ 1,846, em alta de 1,76%, às 15h25. De acordo com Hélio Ozaki, gerente de câmbio no Banco Rendimento, de certa forma, existia a expectativa de que haveria um corte para aliviar os custos de financiamento. "Como não houve, o mercado deu uma 'puxada' nas cotações", notou. "O mercado não gostou", reforçou o gerente de câmbio de uma corretora em São Paulo. Na análise do economista-chefe da corretora Ativa, Arthur Carvalho Filho, o Fed não sucumbiu às pressões de curto prazo e está focado em prover liquidez. Às 15h49, o dólar comercial já reduzia a alta a R$ 1,827 (+0,72%).

No balanço entre crescimento e inflação, o profissional entendeu, a partir do comunicado que acompanhou a decisão, que o Fed está mais pessimista com a atividade do que preocupado com o rumo dos preços - embora não tenha sido ameno nesse sentido. "Mas também sabe que tem um limite de quanto ele pode ir para o juros, dado que o problema é liquidez", acrescentou Carvalho Filho.

No mercado de juros, a reação imediata do contrato futuro de DI de janeiro de 2012, o contrato mais expressivo entre os vencimentos de longo prazo na BM&F, bateu a máxima de 14,49% ao ano, de 14,40% antes do anúncio da decisão e 14,29% ontem. Às 15h53, este vencimento projetava 14,39%. O contrato de DI para janeiro de 2010 estava em 14,64% ao ano, ante 14,63% de ontem.

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