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Mercado indiano se anima com possível novo aumento da Vale

Por Biman Mukherji e Lucy Hornby NOVA DÉLHI/PEQUIM (Reuters) - A possível proposta da Vale de aumentar o preço do minério de ferro fora dos prazos habituais, negada pela companhia, poderia conter o desgaste do mercado indiano no setor, que vê o preço no mercado spot (à vista) do minério se aproximar do fechado nos contratos de longo prazo.

Reuters |

A exportação de minério de ferro da Índia para a China praticamente parou nas últimas seis ou sete semanas por causa da desativação de siderúrgicas chinesas, dos estoques abundantes nos portos, do aumento das tarifas indianas de exportação e da competição de outros exportadores.

O preço para a entrega na China caiu 12 por cento no último mês, criando uma alternativa mais barata, ainda que de menor qualidade, para as indústrias chinesas, em comparação ao minério do Brasil.

A Vale teria informado nesta semana às autoridades alfandegárias chinesas sobre um aumento imediato dos preços em 20 por cento acima do reajuste anual previamente definido em fevereiro. Na prática, a mineradora passa a cobrar o mesmo que na Europa, eliminando o tradicional desconto dado à Ásia para contrabalançar o custo do frete.

A Vale reajustou o preço do minério para 2008 em fevereiro entre 65 e 71 por cento e não foi seguida pelas concorrentes, quebrando uma tradição de anos. As gigantes BHP e Rio Tinto conseguiram preços melhores, de até 96,5 por cento.

A Vale não confirmou a notícia de novo ajuste e a Posco, quarta maior siderúrgica mundial negou qualquer novo aumento em relação ao acertado em fevereiro. Outros clientes chineses ainda não disseram como pretendem reagir, mas os operadores do mercado indiano já se animam com a perspectiva de que a China troque o ferro brasileiro pelo do país vizinho.

'O minério indiano deveria se tornar atraente para a China se a Vale pedir um aumento acima do seu preço contratual. Aí o mercado pode voltar à Índia', disse à Reuters Rahul Baldota, presidente da Federação Indiana das Indústrias Minerais.

'Mas a realidade é que o mercado continua ruim. Por enquanto praticamente não há demanda', acrescentou.

O valor do produto indiano com entrega imediata no mercado chinês é agora quase equivalente ao preço do produto em contratos pré-negociados.

Há poucos anos, o preço do mercado spot (à vista) do produto de qualidade inferior estava bem acima do minério de qualidade superior mas vinculado a contratos de prazo maior.

'[Os exportadores indianos] que estavam questionando os preços de 130 dólares por tonelada há apenas alguns dias, agora estão dispostos a vender por 105 dólares', disse Sanjiv Batra, presidente da estatal MMTC, um dos maiores vendedores de minério de ferro da Índia.

Com o aumento anunciado, o minério da Vale passa a custar praticamente o mesmo valor cobrado pelas mineradoras australianas na Ásia.

Se essa tática der certo, o minério da Vale para entrega futura pode ficar 12 a 13 por cento mais caro para as siderúrgicas chinesas do que no acordo original para 2008. Esse custo extra será difícil de engolir diante do declínio no preço do aço e da abundância de minério de ferro para entrega imediata.

(Reportagem adicional de Alfred Cang, em Shanghai)

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