Por Silvio Cascione SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em leve alta nesta terça-feira, destoando do cenário internacional em mais uma sessão de pouca volatilidade, com os investidores cautelosos em fazer apostas contundentes na baixa da moeda.

A divisa norte-americana fechou a 1,768 real, com valorização de 0,23 por cento. Apesar do segundo dia seguido de alta, o dólar ainda acumula queda de 2,16 por cento no mês.

No exterior, o dólar caía 0,7 por cento em relação a uma cesta com as principais divisas. O euro, por exemplo, subia 0,65 por cento, a 1,3770 dólar.

O principal evento desta sessão foi a manutenção do juro nos Estados Unidos entre zero e 0,25 por cento pelo Federal Reserve. Sem surpresas para o mercado, o anúncio chegou a diminuir ligeiramente a cotação do dólar, já que mantém em um nível extremamente pequeno o rendimento dos ativos atrelados ao juro norte-americano.

Também pesou a favor do euro, e consequentemente contra o dólar, a decisão da agência de classificação de risco Standard & Poor's de manter a nota da dívida soberana da Grécia em "BBB+", evitando uma redução no momento. O país já tem pronto um pacote de apoio da União Europeia, caso julgue necessário, para ajudá-lo a financiar o enorme déficit fiscal.

No Brasil, porém, o dólar teve pouca disposição em seguir o comportamento do mercado internacional. "Já caiu bastante. (O mercado) fica inseguro para fazer posição de venda nesses níveis, e os comprados aproveitam para puxar um pouco", disse Marcelo Oliveira, operador de câmbio da corretora Liquidez.

Apesar da alta dos últimos dois dias, a moeda tem sido cotada nos menores níveis desde janeiro. Fatores que vinham ajudando a desvalorizar o dólar, como o grande fluxo destinado a ofertas de ações no Brasil, já estão totalmente refletidos na atual taxa de câmbio, avaliam operadores.

Um exemplo da cautela do mercado é o posicionamento praticamente equilibrado dos estrangeiros nos mercados de dólar futuro e cupom cambial. Após meses com posições compradas --em uma aposta na alta do dólar--, os estrangeiros passaram a exibir posição vendida de 190 milhões de dólares.

Investidores institucionais nacionais também têm posições reduzidas: 201 milhões de dólares em compras líquidas, ante 1,617 bilhão de dólares no final do mês passado. Já os bancos, que terminaram fevereiro com mais de 9 bilhões de dólares em posições vendidas nesses mercados, agora têm cerca de 3,5 bilhões de dólares em vendas líquidas, segundo a BM&FBovespa.

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