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Mercado futuro indica alta das taxas de juros

Apesar das apostas dos economistas indicarem manutenção do juro básico (taxa Selic) em 13,75% ao ano na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) amanhã e a aproximação do final do ciclo de aperto monetário, as taxas de juros futuras, negociadas na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), indicam que o ciclo de aperto monetário pode não estar chegando ao fim, eventualmente continuando em 2009. Os juros para o prazo de um ano, por exemplo, estavam na casa de 16,3% na sexta-feira, ou seja, a taxa média de juros para um empréstimo correndo dentro deste período estava bem acima da Selic esperada para a mesma janela de tempo na pesquisa Focus, feita pelo Banco Central junto a economistas, que está ao redor de 14,3%.

Agência Estado |

Ontem, as taxas melhoraram, mas o a taxa de janeiro de 2010 fechou em 16,47%, valor elevado considerando-se a Selic média esperada na Focus é de 14% para 2009. Entre os economistas não há consenso sobre se a curva de juros futuros da BM&F seria, neste momento de alta volatilidade dos mercados, um sinalizador razoável sobre os rumos da taxa Selic. O economista-chefe da SLW Asset Management, Carlos Thadeu Filho, avalia que sim. Segundo ele, o aumento nos juros de mercado mostra que para atrair o mesmo capital ao País, a Selic deveria estar mais alta. E enquanto a Selic não se move, ou sobe pouco, o câmbio se torna o ponto de ajuste da economia. Não à toa, o dólar subiu fortemente ante o real.

"O mercado de juros já enxerga o que o BC terá que fazer um ajuste para cima. O que a curva de juro diz é que, para manter o capital externo aqui no Brasil, o BC teria que trabalhar com uma taxa mais alta. Sem um ajuste nos juros, o câmbio vai continuar a depreciar, levando a alta na inflação e depois a uma nova elevação da Selic", afirmou o economista, destacando que vale mais a pena olhar o mercado de juros do que a pesquisa do BC. Ele é defensor de uma política monetária mais dura neste momento de crise.

A economista do Banco Real Tatiana Pinheiro avalia que, como a aversão dos investidores ao risco subiu demais, a curva de juros de mercado neste momento não é um bom sinalizador sobre a política monetária. "O mercado está distorcido, estressado. O que aconteceu com a Bolsa se repete com os juros. As taxas elevadas têm a ver com o exagero do mau humor dos mercados. A curva reflete mais isso do que o que o Copom deve fazer no ano que vem", afirmou. A economista disse que, quando houver redução da volatilidade nos mercados, a tendência é que os juros do mercado voltem a ser uma referência adequada para se visualizar os rumos da Selic.

A economista-chefe do banco ING, Zeina Latif, afirmou que a diferença entre a visão dos economistas e os preços do mercado de juros é comum, porque estes últimos refletem não só o cenário básico dos economistas, mas também as possibilidades alternativas que não são captadas na Focus. "E neste caso, o cenário alternativo é de alta nos juros", explicou. Ela lembrou que as taxas do mercado brasileiro subiram muito na semana passada refletindo a decisão da Hungria de subir agressivamente sua taxa básica de juros. "Criou-se uma dúvida se o Brasil teria que repetir a Hungria". Zeina destacou ainda que as taxas de mercado mais altas impactam a projeção de inflação do BC, já que juros elevados significam crédito mais caro, reduzindo a atividade econômica e a inflação.

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