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Mercado futuro de câmbio trava e leva dólar para R$ 2,20

O dólar disparou hoje à tarde, pressionado pelo aumento da demanda no mercado à vista em meio à paralisação dos negócios com dólar futuro, segundo operadores consultados. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o contrato futuro mais negociado, com vencimento em novembro de 2008, atingiu o limite de alta por volta das 15 horas, ao bater em R$ 2,192, e permaneceu nesse patamar até as 16h20 - o que motivou o travamento dos negócios nesse mercado e uma corrida dos investidores à compra no mercado à vista, dando fôlego à valorização.

Agência Estado |

No fechamento, o dólar comercial subiu 7,63%, a R$ 2,20, após atingir a máxima de R$ 2,205, alta de 7,88%. Essa é a maior cotação do dólar comercial desde 25 de setembro de 2006, quando encerrou a R$ 2,219, e também a maior variação da moeda à vista num único dia desde 15 de janeiro de 1999, quando terminou com valorização de 11,10%, a R$ 1,4659. Na BM&F, o dólar à vista na cotação máxima do dia, de R$ 2,205, em alta de 8,19%. Segundo a assessoria da BM&F, o dólar à vista não tem limite de oscilação diário.

Segundo um analista de um banco estrangeiro, "com a valorização das cotações do dólar muito acima do esperado, dispararam as ordens de stop loss (prevenção de prejuízo) de compra de moeda no mercado futuro, uma vez que muitas empresas e investidores fizeram apostas recentes contra o dólar e agora estão revertendo essas posições, na tentativa de minimizar eventuais perdas." Esse movimento de manada no mercado futuro induziu a disparada da moeda à vista, completou o analista.

A tensão externa, com fortes perdas nas Bolsas norte-americanas e na Bovespa, também manteve o clima perturbador nas mesas de negociação. O comportamento externo da moeda americana, em alta em relação ao euro e outras moedas de países emergentes e em queda ante o iene, que serviu de refúgio para alguns investidores, também foi monitorado. Às 16h40, o euro caía 2,06%, a US$ 1,3489; enquanto o dólar perdia 4,20%, cotado a 100,93 ienes.

Leilão

No começo da tarde, o Banco Central interveio no mercado cambial e realizou um leilão de swap, em que assume posição vendedora em câmbio e compradora em juros, mas a operação não teve efeito de conter a escalada da moeda norte-americana. No leilão, o Banco Central vendeu apenas 29,5 mil contratos de swap cambial, com volume financeiro equivale a US$ 1,470 bilhão ou a 71% da oferta total de cerca de US$ 2,080 bilhões (41,6 mil contratos).

A última vez em que o Banco Central realizou leilão de swap cambial nos moldes da operação de hoje foi em maio de 2006. A autoridade monetária informou que o montante do leilão de hoje equivale ao valor aproximado de US$ 2,1 bilhões de um lote de swap cambial reverso que vence em 3 de novembro - mesma data do vencimento dos swaps cambiais que o BC levou a leilão hoje. Na prática, com o leilão de hoje, o BC antecipa a entrega do dólar que faria no dia 3 de novembro ao não rolar o swap cambial reverso e evita um novo leilão de venda no mercado à vista.

Para comentar os efeitos da crise internacional na economia brasileira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, deram entrevistas esta tarde.

O presidente do BC anunciou que o governo vai oferecer uma linha adicional, em dólar, no exterior com o uso das reservas internacionais. O objetivo é oferecer crédito para o comércio exterior. Segundo explicou Meirelles, o BC vai comprar títulos que serão vendidos pelos bancos no exterior, com um contrato de recompra. O presidente do BC disse que só serão títulos de primeira qualidade, entre eles, títulos da República Federativa do Brasil. Os títulos que serão recebidos nas operações serão definidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e depois, com contrato de recompra, serão devolvidos aos bancos.

O presidente do BC destacou que é um uso garantido das reservas, mas ele não informou qual o montante que o BC pretende usar das reservas nessas operações. "Vamos fazendo na medida do necessário", disse. Não haverá anúncio específico, segundo Meirelles, do volume a ser utilizado. Mas, ele esclareceu que as operações serão feitas por meio de leilão.

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