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Mercado está dividido entre corte de 0,75 ponto e 1 ponto na Selic

SÃO PAULO - Enquanto o mundo espera nesta tarde pela posse do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, no Brasil os membros do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central darão início à análise do cenário econômico doméstico para definir, amanhã, o rumo do juro básico do país. A cautela adotada no encontro de dezembro parece não ter mais espaço desta vez. Entre economistas e analistas financeiros a expectativa é clara rumo à redução da taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano.

Valor Online |

Com a atividade desacelerando a passos largos e a inflação convergindo para o centro da meta, pelo menos no curto prazo, o consenso do mercado é de que não há mais razão para conservadorismo.

Essa conclusão ganhou novo argumento ontem, quando o Ministério do Trabalho reportou baixa de mais de 650 mil empregos só em dezembro. A incerteza no momento é sobre a calibragem do ajuste que o colegiado estará disposto a fazer.

Nesse ponto, os analistas estão divididos entre um corte mais ousado, de 1 ponto percentual, e uma redução de 0,75 ponto no juro. Há também quem aposte em uma sinalização menos agressiva, com diminuição de 0,50 ponto percentual.

A Tendências Consultoria alterou nesta semana a previsão de corte de 0,50 ponto percentual para 1 ponto, levando em conta não só a piora significativa dos indicadores de atividade, mas também a melhora do cenário de inflação. Na avaliação da consultoria, isso contribuiria para evitar uma desaceleração mais drástica da atividade econômica.

A mesma opinião tem o presidente do Conselho de Administração do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef), Walter Machado de Barros, que também revisou em igual proporção a estimativa para a decisão do Copom. Segundo ele, a economia brasileira está "numa situação limite". Além de as medidas do governo ainda não terem surtido, há uma onda de pessimismo muito grande contagiando rapidamente o setor produtivo.

"Apesar da tendência e do histórico conservador do BC, desta vez a possibilidade de redução de 1 ponto percentual sem dúvida é a mais provável", avalia.

Para Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Gradual Corretora, não faltará coragem ao Comitê para fazer um corte nessa proporção, pois a autoridade monetária já se mostrou ousada em outras ocasiões de forte desaceleração industrial.

"É uma situação realmente séria. Até novembro víamos apenas uma contração no setor automobilístico e no crédito e os argumentos conservadores do BC se baseavam nisso. Agora, já estamos vendo forte redução do emprego", diz Silveira.

Os dados da virada do ano, bem piores do ponto de vista da atividade, serão fundamentais para a flexibilização da política monetária. A avaliação é da Convenção Corretora, cujo economista-chefe é Fernando Montero, e que espera uma diminuição de da taxa Selic para 13% ao ano, o que representa um corte de 0,75 ponto percentual.

Para Maristella Ansanelli e Flávio Mendes, do Banco Fibra, a preocupação com a inflação que estava associada à desvalorização cambial vem se desmontando com a compensação pela queda de preços das commodities no mercado internacional e pelo enfraquecimento da demanda doméstica.

E ainda que esse argumento se aplique apenas no curto prazo e que a preocupação com o rumo dos preços ainda seja relevante, a avaliação é de que a prioridade neste momento é evitar um desarranjo maior na atividade econômica, o que justificaria situar a Selic em 13%.

O Credit Suisse Hedging-Griffo, que em seu relatório de projeção também aposta em corte de 0,75 ponto percentual, também aponta para esses fatores de compensação cambial e lembra que o IGP-10 de janeiro teve deflação de 0,85%. Além disso, a média dos núcleos de inflação do IPCA de dezembro ficou em 0,33%, o que aponta para uma inflação anualizada de 4%, portanto abaixo do centro da meta de 4,5%.

Ainda assim, a cautela em relação ao repasse do dólar alto para os preços pode acabar inibindo cortes mais agressivos no custo do dinheiro. Para Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central e economista-chefe do Departamento de Pesquisa Econômica do Banco Santander, o colegiado deverá se ater a um corte de 0,50 ponto percentual.

"Persistem riscos importantes para o cenário inflacionário e para o balanço de pagamentos", menciona Schwartsman em seu relatório.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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