SÃO PAULO - As perdas financeiras de empresas expostas em dólar com instrumentos derivativos estão levando o mercado a ficar de orelha em pé , monitorando com lupa as condições de atuação das companhias exportadoras e até das que não são. A opinião é do economista-chefe do banco HSBC, André Loes.

A preocupação começou depois que a Sadia anunciou perda financeira de R$ 760 milhões e continua presente. Hoje a Aracruz anunciou que o valor justo ( " fair value " ) negativo de sua exposição é de aproximadamente R$ 1,95 bilhão, em valores de 30 de setembro.

Loes afirma que o comportamento das empresas no mercado financeiro, por meio de suas tesourarias próprias, ainda é pouco previsível. Embora tenham atuação relevante a cada dia, o mercado não está acostumado a a analisar os riscos associados a essas atuações. " Isso é um elemento novo. Há dez anos não havia isso " diz, mencionando a dificuldade de prever como o setor produtivo reage a situações extremas como a que tem sido vivida no câmbio atualmente.

Sobre a nova flexibilização do compulsório a bancos, anunciada na noite de ontem pelo Banco Central (BC), Loes acredita que a medida deve suprir a necessidade momentânea do mercado por liquidez. Segundo ele, a escassez de dólar gerada pela crise de confiança no mercado financeiro deve ser remediada com a decisão, que pode, no limite de uso, injetar R$ 23,5 bilhões no sistema financeiro.

"Acho difícil que o BC tomasse a medida sem ter feito uma pesquisa antes com o mercado", disse Loes, afirmando que, se assim for, os cálculos do BC dão a medida do pessimismo dos agentes locais no momento presente.

Para o economista, a alta do dólar, que voltou a subir e fechar acima de US$ 2 hoje, é formada de estresse dos agentes e da escassez global. O primeiro fator pode ser amenizado com a implementação do plano de socorro dos EUA, aprovado hoje pelo congresso americano. "Acho que haverá um alívio", diz
Já a segunda variável depende da recuperação da confiança no sistema americano, o que deve levar mais tempo. Ainda assim, Loes não alterou sua estimativa para a cotação da moeda neste ano, de R$ 1,78.

"Continuamos superavitários em dólar, pois o investimento direto estrangeiro em 12 meses ainda está acima do déficit em conta corrente no mesmo período", diz. Segundo ele, a falta de dólares ocorre é no estoque de divisas.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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