Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Mercado espera queda entre 5% e 10% na produção industrial de dezembro

SÃO PAULO -A produção industrial de dezembro medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) deve confirmar o cenário demonstrado por indicadores antecedentes e registrar baixa acentuada. As estimativas de economistas para o índice, que será divulgado amanhã, variam entre queda de 5% a 10% perante o mês de novembro.

Valor Online |

A explicação para esse comportamento da indústria no último mês de 2008 estaria na forte estocagem gerada pela crise internacional, via redução de crédito e demanda. Assim, a indústria nacional pode ter freado ainda mais a produção em dezembro para queimar seus estoques.

Os agentes continuam olhando com incerteza para a duração dos estoques, mas não há muitas apostas em uma retomada de fôlego para a produção industrial quando o mercado absorver essa produção acumulada. Os economistas acreditam que, além da demanda interna fraca, o ritmo das exportações não parece sinalizar recuperação no curto prazo, o que tende a sustentar uma atividade mais modesta.

Na avaliação dos economistas, o indicador em questão passa a ter extrema importância para a condução do juro por parte do Comitê de Política Monetária (Copom), que mostrou na ata da última reunião aumento da preocupação com a atividade e relativa tranquilidade com o cenário de inflação.

Dentre os números a serem analisados pelo colegiado nos dias 10 e 11 de março, também terão relevo os dados da Sondagem Indústria da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgados na semana passada e que apontaram entre outubro e dezembro os piores dados trimestrais em 10 anos.

Os agentes lembram ainda que o Copom terá em mãos os números de produção industrial de janeiro, a produção do setor automobilística de fevereiro e o PIB do país referente ao quarto trimestre. A percepção é de que esse conjunto de dados devem legitimar um novo corte de 1 ponto percentual da taxa Selic ou, no mínimo, 0,75 ponto percentual de redução.

Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados - que tem uma das previsões mais otimistas para o índice - estima queda de 5,1% da produção industrial brasileira em relação a novembro e baixa de 9,8% na comparação com dezembro de 2007. " Quando passar essa crise de estoques, a indústria vai continuar produzindo menos " , diz.

As previsões dos analistas para o PIB do país no quarto trimestre acompanha esse temor. Vale prevê queda de 1,9% no período. Já Roberto Padovani, economista-chefe do WestLB, estima declínio de 2,9% para o PIB entre outubro e dezembro. A avaliação é de que os bens de consumo puxarão para baixo o PIB.

Para a produção industrial de dezembro, Padovani é um dos mais pessimistas, com projeção 9,8% de queda no confronto dom novembro e redução de 11,7% em relação a dezembro de 2007. " Essa retração se deve ao esforço de queima de estoques " , diz, lembrando que esse efeito acabou exacerbando uma desaceleração natural da atividade por conta da crise.

Para ele, embora o próximo passo do BC depende dos dados que serão divulgados, uma variável importante para a dinâmica da crise e seus efeitos virá do novo pacote de ajuda a bancos que o governo americano deve apresentar agora em fevereiro.

Seja como for, a avaliação de Padovani é de que a decisão do Copom ficará mesmo situada entre um novo corte de 1 ponto e 0,75 ponto percentual, a depender da recuperação da atividade entre janeiro e fevereiro e o comportamento das expectativas de inflação.

Elson Teles, economista-chefe da Concórdia também projeta tombo na produção de dezembro, de 9,5% no mês ante novembro e de 11,5% no contraponto com o mesmo mês de 2007. Com isso, a produção industrial terá baixa de " incríveis " 16,5% no acumulado dos últimos três meses de 2008.

Contrações na produção de veículos, metalurgia, máquinas e equipamentos, produtos químicos e extrativa mineral (destaque para minério de ferro) devem comandar esse tombo, avalia Teles, para quem o PIB do país entre outubro e novembro deve recuar 2,5%.

Embora concorde que a sinalização do BC aponte para um novo corte de 1 ponto percentual, Teles ressalva que a autoridade monetária também vai monitorar as expectativas inflacionárias, seja pelo risco inercial gerado pela inflação mais forte de 2008, seja pela valorização do dólar que pode ser repassada aos preços, embora os preços internacionais mais baixos estejam compensando esse efeito até o momento.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG